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A contemporaneidade
diz respeito aos tempos recentes, dos últimos vinte anos, e pode-se
considerar a marca desta época o fenômeno da globalização
ou da mundialização. Definida basicamente como estabelecimento
de uma rede de informações à distância e de fluxo
contínuo, tendo como suporte a tecnologia avançada da informação,
a informática, que organiza a vida econômica, política
e social, segundo uma ordem mundial. As comunicações ultrapassam
quaisquer limites ou barreiras nacionais dos estados, estabelecendo apoiadas
na alta tecnologia, um fluxo rápido e em moto contínuo de dados
– sons, imagens e textos cruzando o planeta, sem controle e sem limites,
abertos. Definida como a terceira a onda industrial, a informatização,
ou revolução eletrônica, que propiciou esse grande salto
das comunicações, vencendo as distâncias, acelerando o
tempo da história e da veiculação, de notícias
e dados, potencializando e mantendo a memória, da otimização
de estocagem destes, expandindo possibilidades no futuro, a partir de pressupostos
ou probabilidades. O inexorável avanço dos meios de comunicação,
estabelece sua presença e ação em todo planeta. De origem
em interesses de ordem política e econômica, mas resultou em
profundas transformações irreversíveis para a condição
humana, quanto ao conteúdo, qualidade e quantidade de imagens a que
está submetido o homem contemporâneo, nas cidades.e conseqüente
ampliação do imaginário de seus habitantes. As imagens
se apresentam em superfície, com pouca profundidade, rapidamente são
substituídas por outras, em seqüências rápidas de
forma fragmentária e artificial. Outros aspectos críticos, apontados
nos últimos anos do século passado e no início deste
milênio, por sociólogos, antropólogos a respeito deste
sistema sócio-econômico dominante dos meios de comunicação
high tech. Os centros da economia e da condução da cultura,
mantêm sua hegemonia em relação às áreas
excêntricas; confrontando-se com suas identidades culturais. A euforia
que se seguiu à primeira fase da globalização na década
de 80, liderada pelo sonho de universalidade e de eqüidade, de acesso
ao mesmo nível de informações e de tecnologia para administrá-las
e de inclusão de todos nesta ciranda internacional, é substituída,
ao avançar dos anos 90. A ilusão de universalidade acabou, percebendo-se
que a globalização, como aí hoje está é
mais um processo de separação entre os centros hegemônicos
de economia e cultura e demais áreas periféricas, que por sua
vez buscam reagir na manutenção de seu perfil próprio,
interessadas em preservar e mostrar suas raízes, sua alteridade.
A informação
no mundo globalizado, alavancada pela informática, é o grande
vetor de produção, de progresso, sucesso, poder e dinheiro.
Esta valorização da informação fez com que vários
pensadores definissem como a época como da sociedade do saber, que
significa conhecimento, competência e eficiência.
A arte na contemporaneidade, no contexto do mundo globalizado,
assume um papel relevante, surpreendente, inesperado. Ela se oferece como
um campo ainda mistérico, mágico, escapa do controle, da programação,
dos diagnósticos a tempo futuro ou prognósticos, ainda é
um domínio de exercício de liberdade e de reencontro com a sacralidade
da vida, por sua natureza aberta, disponível, libertária e expansiva.
A arte é um dos poucos campos de saber e criatividade, que se mantém
como fronteira a ser explorada, a ser descoberta, a ser revelada, um território
por isso não totalmente desentranhado pela razão, portanto um
canal para o absoluto, para revelações, visualidades impensadas,
percepções novas, daí sua sacralidade irreligiosa, sendo
para o ser humano talvez o último reduto de contemplação
e liberdade.
A década de 90 vem ampliar ou confirmar o processo
de globalização mediante o desenvolvimento tecnológico
da informática nas comunicações. O marco neste período
final do século e do milênio é a instauração
da Internet, essa plataforma do mundo virtual, onde sem limites imagens e
textos dígitos todo o imaginário possível se altera se
reparte e se repete, em trânsito contínuo.O volume de imagens
deste mundo virtual é infinitamente maior que o do mundo real, romperam-se
as barreiras de tempo e espaço, os limites históricos das leis
e da moral, das línguas, das religiões e mitos.
A internet assume um poder de ser uma verdadeira extensão do viver
cotidiano atual. Por outro lado, possibilita a sedução da liberdade,de
um espaço ilimitado de comunicação e de expressão
do indivíduo. Conseqüente mente, Z. Bauman afirma que o valor
supremo d a pós-modernidade, é a vontade de liberdade.No campo
da arte, jamais o artista teve tanta liberdade de criação,e
experimentação; sem limites ou ideologias, o artista é
demiurgo e taumaturgo no seu universo de criação, observa-se
o desenvolvimento da Arte e Tecnologia,
em que e opera os meios da alta tecnologia, em cruzamentos e intermediações
com outros meios , o poliglotismo de meios e linguagens configuram Hibridismos,
conjugando fragmentos de diferentes naturezas- semânticas, técnicas
e tecnológicas.
Numa tentativa de visão crítica, acentuam-se na complexa cultura
mundial a questão das diferenças, do meio – ambiente e
do desenvolvimento sustentável, das alteridades, elementos que participam
de uma consciência do politicamente correto e da interdependência
planetária para a sobrevivência e melhores condições
de vida da humanidade.
Daisy Peccinini [coordenadora]