São Paulo (1960)

Formado em Filosofia na USP em 1982, assim como tantos outros jovens, Nuno Ramos se encontrava indeciso em relação à carreira profissional. Primeiramente, quis ser escritor, depois músico, e finalmente decidiu ser artista plástico. A única certeza era a vontade de atuar no campo artístico. Foi na Casa 7 (1982 – 1985) onde encontrou morada para as suas idéias efervescentes. Neste momento, ele estava enfeitiçado pela corrente Neo-expressionista, por isso tinha como inspiração o artista alemão Kiefer, assim como, os norte-americanos Schnabel, Pollock e Stella.

Após o fim do grupo Casa 7 (1985), Nuno Ramos passa a trabalhar com pinturas estruturadas tridimensionalmente. Com auxílio da bolsa Émile Eddé (1987) de apoio a jovens artistas, ele intensifica sua pesquisa detalhada sobre pintura matérica. Atualmente sua produção envolve pintura, escultura e instalação.

Dentre as inúmeras exposições das quais o artista tem participado, destaca-se: 7º Salão Nacional de Artes Plásticas (1984), II Bienal de La Habana (1986), XLVI Bienal de Veneza (1995) e XVIII (1985), XX (1989) e XXII (1994) Bienais Internacional de São Paulo. Além disso, o artista lançou dois livros de prosa poética: Cujo (1993) e O Pão do Corvo (2001).

Em toda a sua carreira, o destaca o “fazer” e a interrogação sobre o papel e o limite da arte, cuja atitude reflete inquietações pessoais e necessidade de renovação da pintura. Para tanto, o artista utiliza diversas técnicas para problematizar a invenção nas artes como o gesto por agregação, justaposição de diversos materiais, conjecturas das unidades na obra e contrastes pelas cores. O resultado é um trabalho permeado por idéia de cosmo, ou seja, indistinção entre linguagem, matéria, indivíduo e mundo, deste modo, a sua observação nunca se fecha em um dado instante.

A proposta final do artista é buscar percepção estética com a sensibilidade do público. Nuno Ramos não costuma colocar título nas obras, se ele existe é porque é de suma importância para o expectador fazer jogos de signos e significantes. Ele requer intuição por parte do público, o qual não precisa entender, somente pressentir a linguagem codificada de suas obras. Neste processo, a harmonia é difícil de ser achada, pois os olhos se deparam com densas camadas de materiais que soltas no espaço invadem a vida do espectador.

Luciana de A. Leite
[bolsista IC - FAPESP]
Daisy V. M. Peccinini
[coordenadora MAC-USP]


Sem Título , 1988