Gilbert e George. Morte, 1984. Tate Gallery
Gilbert e George. Morte, 1984. Tate Gallery
Gilbert e George. Morte, 1984. Tate Gallery

O alto nível do progresso tecnológico, nunca antes visto na história da humanidade, tem como decorrência uma transformação de valores na sociedade, propiciando novos dilemas e embates culturais. Os artistas pós-modernos propuseram um novo modo de ver o mundo, ligando linguagens artísticas a um tipo de realidade multifacetada, fragmentada e híbrida. Buscam manifestar sentimentos emotivos numa sociedade acusada por eles de ser fria, calculista, apressada e ambiciosa.

Pós-Modernismo é o nome aplicado às mudanças ocorridas nas ciências, nas artes e nas sociedades desde 1960, quando o cotidiano é invadido pela tecnologia eletrônica, visando saturações de informações, diversões e serviços que produzem um mundo de simulação. Os meios de comunicação não informam sobre o mundo, eles o transforma num espetáculo de simulacros para satisfazer a ávida sociedade de consumo.

Pode se dizer, que a Art Pop foi a pioneira expressão artística do pós-moderno., A Pop, que nasce na Inglaterra mas ganha força em Nova Iorque, ironiza os ícones do consumismo que a sociedade idolatra, ao mesmo tempo, luta contra o subjetivismo e o hermetismo modernos. Ela emerge com a explosão das comunicações de massa com linguagem assimilável pelo público de signos e de objetos de massa, utilizando um hiper-realismo ao copiar em tinta acrílica, serigrafia, ready made e assemblage a vida diretamente em seus objetos do cotidiano. Finalmente, a Pop esgota os “ismos” e os códigos estéticos do modernismo, pondo fim à beleza como valor supremo da arte.

A arte Conceitual na década de 70, dá um passo a mais em direção ao vazio pós-moderno. Ela desmaterializa a arte ao dar um sumiço em seu objeto. Pinturas e esculturas são supérfluas, pois somente existe interesse pela idéia, a criação mental do artista, registrada num esboço, esquema ou frase.

O momento pós-moderno não apresenta propostas definidas, nem coerências, tampouco linhas evolutivas. Deste modo, diferentes estilos convivem sem choques formando ecletismos e pluralismos culturais. Não há grupos ou movimentos unificados. Além disso, ele não se desfaz do passado que é agregado ao pós-moderno, apenas o tradicional foi eliminado.

Um clima de incertezas e uma dificuldade de sentir ou representar o mundo são as condições do pós-moderno. Diante da sensação de irrealidade, da desordem e do vazio, a sociedade cada vez mais se individualiza e se torna apática. Ela não encontra valores e sentido para a vida, somente se entrega ao prazer imediato e ao consumismo. Portanto, ela não desenvolve pensamentos profundos ou existenciais, mas apenas repostas rápidas e adequadas à era do consumismo exarcebado.

É o indivíduo pós-moderno, símbolo maior e centro da decadência de valores humanos, que será atingido e tematizado pela arte contemporânea. A arte atual, ao criticar a tecno-ciência aliada ao poder político e econômico, desconstrói o mundo para revelar o que está por trás do sistema, buscar liberação individual e aumentar a percepção do mundo em que se vive. Para tanto, o público passa ser a chave central da realização da arte. O espectador entra e faz intervenções na obra. Em uma manobra onde artista é suprimido, o observador pode recompor a obra em qualquer ordem que faça sentido para si próprio.

A desordem é fértil no campo artístico. Ela propicia multiplicidade nas expressões artísticas através de infinitas técnicas sobre os mais variados materiais e suportes como pintura, escultura, desenho, cinema, artes gráficas, arte corporal, vídeo e música, isto é, infinidades de possibilidades construtivas na materialização de um sentido que procura impactar o público. É um movimento que não finda e que vive em constante reorganização.

Luciana de A. Leite
[bolsista IC - FAPESP]
Daisy V. M. Peccinini
[coordenadora MAC-USP]