Surge então a pintura integrada ao ambiente,
espaço bidimensional que recebe a pintura e
no qual a ausência de moldura confere uma
intermediação insinuante como em todos artistas
que se utilizam deste “artifício” desmistificador,
entre espaço real e o virtual de seu trabalho pictórico.
Transparece assim uma pintura desnuda em seu naturismo,
independente do fato de ser figurativa ou não,
porém como comunicação visual plástica válida em si,
sem a pose da “grande pintura”,
embora substancialmente pintura.”*

No contexto artístico da década de 80, destaca-se a exposição Pintura como Meio, realizada no MAC-USP em 1983. A montagem desta exposição iniciou-se quando em 1983, a então diretora do MAC-USP Aracy Amaral acolheu os trabalhos dos novos artistas Ana Maria Tavares, Ciro Cozzolino, Leda Catunda, Sérgio Romagnolo e Sérgio Niculicheff. Cansados de suportes experimentais, estes jovens se voltaram para a pintura, atestando a perenidade desta técnica e demonstrando sua vitalidade. Os únicos traços em comum entre estes artistas eram a adoção da pintura como meio de expressão e a intenção de desmistificação da pintura dos conceitos do modernismo.

Para tanto, pintam com ironia em variados suportes como panos, rejeitam molduras ao redor das telas e refletem sobre o bombardeio de imagens da Mass Media.


*AMARAL, Aracy. “Uma Jovem Pintura em São Paulo”. IN: Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo. Pintura Como Meio, São Paulo, 1983 (cat.).


Luciana de A. Leite
[bolsista IC - FAPESP]
Daisy V. M. Peccinini
[coordenadora MAC-USP]