São Paulo (1962)

Sendo gravador, pintor, programador visual e ilustrador, Fábio Miguez inicia sua formação artística em um curso de gravura e metal com Sérgio Fingermann (1980-82), ao mesmo tempo, cursa arquitetura na FAU-USP. Contudo, pode-se dizer que foi na Casa 7 (1982-85) que Miguez aprofundou os seus estudos em relação à pintura. Ao lado de Carlito Carvalhosa, Nuno Ramos, Paulo Monteiro e Rodrigo Andrade, ele reflete incessantemente sobre a retomada da pintura nos moldes do neo-expressionismo da década de 80. Entre as exposições de que participa, destacam-se: Salão Paulista de Arte Contemporânea, 1984/1985; Casa 7, no MAC/USP, São Paulo e no MAM/RJ, Rio de Janeiro, 1985; Bienal Internacional de São Paulo, 1985/1989; II Bienal de Havana, Cuba, 1986 e Bienal Brasil Século XX, São Paulo, 1994.

A questão primacial no trabalho de Miguez sempre foi dedicada à pintura. Seu esforço para desencantar a pintura de valores tradicionais, desde a década de 80 até a sua produção atual, envolve diálogos que perpassam artistas como Brice Mardens, Jasper Johns, Robert Ryman e De Kooning, bem como os brasileiros, Mira Schendell, Alfredo Volpi, Iberê Camargo, Guignard, Goeldi e Jorge Guinle. De fato, o artista transita entre neo-expressionismo, minimalismo, abstracionismo e construtivismo. Seu maior desejo é conquistar uma afirmação da pintura através de dúvidas e indagações, portanto, o que constrói o seu trabalho é o questionamento constante sobre ser um artista, sobre o papel da arte, e finalmente, deposita especial atenção à possibilidade e limites da pintura.

De acordo com a sua pesquisa, uma pintura total deve conter pinceladas gestuais, cor, matéria, figuração e escala generosa. No entanto, afirma ser impossível compreender a totalidade de um quadro, uma vez que é próprio da pintura um dinamismo aflito e instável, o qual não conhece limites.

Luciana de A. Leite
[bolsista IC - FAPESP]
Daisy V. M. Peccinini
[coordenadora MAC-USP]


Sem Título , 1988