Cildo Meireles - Parla, 1982
Cildo Meireles - Parla, 1982
Cildo Meireles - Parla, 1982


Fernando Limberger
Sem título, 1989

Após o desprezo da escultura, que recebeu a mesma discriminação direcionada à pintura por ser uma linguagem artística tradicional durante meio século, ela também ressurge no pós-moderno e promete novas e mais amplas possibilidades de expressão. Até recentemente a escultura era prejudicada por sua identificação com exigências do modernismo, porém, na década de 70 e ainda mais vigorosa na década de 80, a escultura desmobilizada de preceitos formais se abre para o uso de materiais diversos como: objetos descartáveis, aparelhos elétricos, têxteis, ready mades e materiais industriais. Assim como a pintura, a escultura se mostrou renovadora sobre os limites formais de meios artísticos julgados convencionais.

Afinada com o pós-moderno, a escultura desestetiza o objeto tridimensional e não prioriza o tempo histórico de forma linear, isto é, ela funde presente, passado e futuro numa só obra, após retirar citações e segmentos da história da arte. Deste modo, o artista escultor se vê livre para compor escolhas e procedimentos individuais. De acordo com Peccinini, esta estratégia abrange a utilização de todos e quaisquer meios e materiais, passo decisivo da escultura para uma autonomia e licença ilimitadas. “Neste sentido a subversão da ordem dos materiais em outro sistema de relação revela outras realidades e abre percepções inumeráveis." (PECCININI, Daisy V. M. Os tridimensionais do MAC - segmentos da História da Escultura. IN: Sedução dos Volumes. Catálogo: São Paulo, MAC/USP, 1992, p. 17.)

Neste cenário, circulam livremente apropriações de objetos comuns (ready made), tecnologias e sínteses com materiais industriais e naturais, a fim de despertarem efeitos perceptivos sensuais, irônicos, sensoriais e de antagonismo no público. Os materiais são dispostos de modo a experimentar o que eles possibilitam de potencialidades para expressividades.

A escultura como meio expressivo se questiona a todo momento. Vale dizer, que ela ampliou seu campo criativo ao trabalhar com instalação e objeto, especialmente em espaços públicos. A intenção da obra tridimensional surge como comunicação e aproximação da vida, deixando leituras, narrativas e lacunas abertas que cabem ao observador interpretá-las.

Luciana de A. Leite
[bolsista IC - FAPESP]
Daisy V. M. Peccinini
[coordenadora MAC-USP]


Sérgio Romagnolo
São Jorge , 1989