São Paulo – 1982/1985

Carlito Carvalhosa (1961), Fábio Miguez (1962), Nuno Ramos (1960), Paulo Monteiro (1961) e Rodrigo Andrade (1962) são os jovens que dividem uma casa-ateliê de número 7, no bairro Cerqueira César. Todos já haviam estudado gravura em metal com Sérgio Fingermann, exceto Nuno Ramos. A Casa 7 é considerada por todos eles a formação e amadurecimento inicial de suas carreiras artísticas ainda em processo. Na Casa 7, trocavam experiências, pintavam, refletiam e criticavam intensamente uns aos outros. A influência predominante entre os jovens era Philip Guston, Kiefer, De Kooning, Pollock e Markus Lupertz, ou seja, os neo-expressionitas da década de 80. Após mostrarem seus trabalhos em papel Kraft para a Diretora Aracy Amaral do MAC-USP, o grupo ganha rápido reconhecimento do mercado e da crítica. Em 1985 realizam mostras no MAC-USP, no MAM-RJ e alcançam seu auge na XVIII Bienal Internacional de São Paulo.

A Casa 7 proporciona uma releitura da pintura no Brasil. Apesar de não ter uma proposta política ou plástica fixa, o grupo aposta na pintura como uma expressão de fé no fazer artesanal da pintura e na liberdade. Com uma pesquisa expressiva e gestual, a pintura perde o seu deslumbramento tradicional. Ela pretende estar relacionada à emoção e à metafísica, ao mesmo tempo em que, trabalha no nível do impacto e do estranhamento como é demonstrado pelos respingos e sujeiras na pintura. A temática desta nova linguagem não se preocupa em ser nacional, urbana ou periférica. Ela não tem um tema específico. A proposta desta pintura privilegia a experiência artística do fazer na realidade do mundo, conseqüentemente, prioriza a maneira que cada um interpreta o mundo.

Sem recursos, eles apelavam para materiais baratos como esmalte sintético sobre papel kraft. O grupo propunha uma pintura em gigantes escalas, com pinceladas livres e cores discrepantes. A intenção era de se libertaram do plano para conquistar o volume e combater o caráter intimista da arte conceitual, avesso ao experimentalismo da Casa 7. A mistura de técnicas e materiais de cada artista do grupo não é harmoniosa. Ela exibe peso, densidade, resistência e subjetividade. Portanto, querendo sair do estereótipo da alegria de pintar, o grupo cria uma pintura expansiva e vital.

Os 5 jovens explodiram no mercado de arte. Na carência de sensibilidade dos anos 80, a sociedade aceita jovens efervescentes de idéias como os da Casa 7, mesmo sem eles possuírem um currículo de artista plástico. Por sua vez, o mercado ansiava por originalidade. Tal acontecimento, marcou as carreiras dos membros deste grupo, pois parece impossível citar o nome de algum deles sem relembrar a invenção dos jovens da Casa 7.

Luciana de A. Leite
[bolsista IC - FAPESP]
Daisy V. M. Peccinini
[coordenadora MAC-USP]

CASA 7 PINTURA. Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, 1985. (Catálogo de Exposição) ( Aracy Amaral)
Catálogo.