O que se pretende criar mesmo
é criar um espaço perturbador,
uma zona de turbulência,
análoga àquela que encontramos
na arte contemporânea.
*

Durante o período de redemocratização brasileira, a XVIII Bienal Internacional de São Paulo (1985) gerou grande polêmica em torno da “Grande Tela”. Sob curadoria de Sheila Leirner, a sala “A Grande Tela” configurou-se como um corredor abarrotado de telas de grandes formatos de artistas internacionais e nacionais. Ela defendia um afastamento das exposições de visão historicista e academicista. Ao eliminar fronteiras de tempo e espaço, queria abordar um sentimento que permeasse a globalização e a nova liberdade conquistada pelos brasileiros.

Por outro lado, esta medida englobou a pintura brasileira com as tendências pictóricas internacionais, suscitando um reboliço no mundo artístico. Os artistas com obras expostas nesta sala contestavam tal manobra, um vez valorizavam a individualidade e a multipluridade de estilos. Para eles, a reunião das obras como se fossem um todo sufocava a múltipla tendência artística do momento, bem como impunha uma idéia de movimento unificado.
Enfim, percebe-se um destaque do papel do curador que define e organiza as exposições artísticas, em sintonia com o mercado da arte. Ele passa a ser o centro do debate artístico, à medida que atende as necessidades do grande público e constrói “espetáculos” para celebrar a arte.


* LEIRNER, Sheila. Introdução. Catálogo Geral da 18º Bienal Internacional de São Paulo. São Paulo, Fundação Bienal, 1985.

Luciana de A. Leite
[bolsista IC - FAPESP]
Daisy V. M. Peccinini
[coordenadora MAC-USP]