Alegrete, RS, 1919 – Rio de Janeiro, RJ, 2001

Nascida em Alegrete, no Rio Grande do Sul, em 1919, Ione Saldanha já na infância passa a interessar-se por artes. Seu interesse se dá ao ver em uma revista a imagem de uma pintura de Matisse. Nesse momento, ela decide que vai ser artista e passa a sonhar com sua mudança para o Rio de Janeiro, capital das artes no Brasil, nesse período.

A mudança para o Rio de Janeiro se dá na década de 1940, em 1948 passa a estudar no ateliê de Pedro Corrêa de Araújo, onde realiza seus primeiros trabalhos. Nesse mesmo ano participa do Salão Nacional de Belas Artes / Divisão Moderna, ganhando uma medalha de bronze por seu trabalho.

Em 1951 viaja para a Europa, lá fica por cinco anos. Primeiro em Paris, onde estuda a técnica de afresco na Academia Julian e posteriormente em Florença, onde também estuda a mesma técnica. Além do período de estudo, esse foi um período de grandes descobertas nos museus da Europa, onde se depara por fim com obras de seu inspirador primeiro, Henri Matisse.
Ainda morando na Europa, participa da Bienal Internacional de São Paulo em 1953 e do Salão Nacional de Arte Moderna no Rio de Janeiro, onde ganha o Prêmio Aquisição em 1954. Neste mesmo ano participa do Salão Preto e Branco do 3o. Salão Nacional de Arte Moderna, no Rio de Janeiro.

De volta ao Brasil em 1956, Ione expõe em uma Individual no MAM de São Paulo e na Petit Galerie no Rio de Janeiro. Em 1957 participa da Mostra “Itinerante Arte Moderna no Brasil” em Buenos Aires e Rosário, na Argentina. Em 1959 faz uma exposição individual no MAM do Rio de Janeiro. Ainda neste ano participa de uma coletiva de artistas brasileiros em Munique, Viena, Utrecht e Amsterdã, Lisboa e Paris, com a Mostra “Arte Brasileira”. Faz parte da mesma exposição novamente em 1960.

De 1961 a 1964 faz várias exposições individuais em Santiago no Chile (1961), Rio de Janeiro (1962), Berna (1964) e Roma (1964).

A partir de 1968 a artista passa a utilizar suportes diversos em seus trabalhos, tais como ripas e bambus, bobinas de madeira para cabos elétricos, entre outros. A mudança de suporte dá uma grande liberdade de expressão à artista que passa a criar não mais pinturas, mas sim objetos pictóricos e conjuntos de objetos até chegar às Instalações.

O interesse que até o momento era por cores e formas, ultrapassa o dimensional e se projeta em ambientes, instalando objetos que lembram ritos e festejos primitivos e populares, onde a tridimensionalidade de sua pintura ganha um “pulsar” através dos novos suportes.

Sua “brasilidade” é inegável, principalmente quando alcança o tridimensional, é através dessa nova poética que a artista expressa suas origens e a origem de seu povo de forma vibrante e colorida.

Sua obra nesse momento é dotada de uma espiritualidade singela, manifestada a partir de ritos primitivos, com imagens geométricas tribais e apesar de sutil cheia de sensualidade em sua origem.

Suas últimas obras datam de 2000, quando a artista já lutava contra um câncer que lhe tirou a vida em 2001. Ela viveu até o fim de sua vida no Rio de Janeiro, cidade que escolheu e amou, até seu último suspiro.

[ver análise de obra]

Luciana Bosco e Silva [colaboradora]
Daisy Peccinini [coordenadora]