A
Instalação é um fazer artístico
dos mais relevantes no panorama das artes no século XX e início
do XXI. Embora já bastante discutida, conta ainda com frágil definição
e com muitos pontos a serem pesquisados de forma incisiva.
Como boa parte da produção artística contemporânea
a Instalação não permite rotulação única,
por seu princípio experimental. O conceito, a intenção
do artista ao formular seu trabalho é em grande parte a essência
da própria obra, na medida em que a instalação emerge no
contexto da Arte Conceitual.
A Instalação, enquanto poética artística
permite uma grande possibilidade de suportes, a gama variada de possibilidades,
em sua realização pode integrar recursos de multimeios, por exemplo,
videoarte, caracterizando-se em uma videoinstalação
Esta abertura de formatos e meios faz com que esta modalidade se situe de forma
totalmente confortável na produção artística contemporânea,
já que a Arte Contemporânea tem como característica o questionamento
do próprio espaço e do tempo.
A obra contemporânea é volátil, efêmera, absorve e
constrói o espaço a sua volta, ao mesmo tempo, que o desconstrói.
A desconstrução de espaços, de conceitos e idéias
está dentro da práxis artística da qual a Instalação
se apropria para se afirmar enquanto obra.
Essencialmente é a construção de uma verdade espacial em
lugar e tempo determinado. É passageira, é presença efêmera
que se materializa de forma definitiva apenas na memória. O sentido de
tempo, no caso da fruição estética da Instalação
é o não-tempo, onde esta fruição se dá de
forma imediata ao apreciar a obra in loco, mas permanece em sua fruição
plena como recordação.
Essa questão do tempo é crucial na Instalação,
fazendo com que a mesma seja um espelho de seu próprio tempo, questionando
assim o homem desse tempo e sua interação com a própria
obra. Nesta condição pode-se indicar algumas características
próprias das instalações da década de 70.
A transmutação do Objeto em Instalação,
ou melhor o caminho percorrido pelo Objeto Artístico até a Instalação
tem exemplos precursores com Duchamp e os ambientes surrealistas.
Na década de sessenta os artistas passaram a questionar os suportes tradicionais
da arte e fazer trabalhos que mais tarde ficaram conhecidos como Instalações,
por exemplo a Arte Ambiental de Hélio
Oiticica. Estes trabalhos tinham em comum a apropriação de
espaços e o questionamento da arte em suas modalidades convencionais,
pintura e escultura, apoiando-se na Arte Conceitual
e nos meios anartísticos.
A permanência da Instalação é um
fenômeno destacável na Arte Contemporânea, sendo uma das
mais importantes tendências atuais. A instalação, na Contemporaneidade
tornou-se mais complexa e multimidial, enfatizando a espetacularidade e a interatividade
com o público. As combinações com várias linguagens
como vídeos, filmes, esculturas, performances, computação
gráfica e o universo virtual, fazem com que o público se surpreenda
e participe da obra de forma mais ativa, pois ele é o objeto último
da própria obra, sem a presença do qual a mesma não existiria
em sua plenitude.
Esta participação ativa em relação à obra
faz com que a fruição da mesma se dê de forma plena e arrebatadora,
o que em muitos casos pode até mesmo tornar esta experiência incômoda
e perturbadora.
A necessidade de mexer com os sentidos do público, de instigá-lo,
quase obrigá-lo, a experimentar sensações, sejam agradáveis
ou incômodas, faz da Instalação um espelho de nosso tempo.
Pode-se dizer de fato que a Instalação é uma obra epocal,
a qual só faz sentido se vista e analisada em seu tempo-espaço.
Na Coleção do MAC USP, as características das Instalações
da década de 70, tais como a ênfase às questões conceituais
e perceptivas, e a neutralidade marcadas pelo racionalismo da Arte Conceitual
são observadas nos trabalhos de Chihiro
Shimotani, Kuniichi Shima, Ione Saldanha
e Carlos Alberto Fajardo.
Luciana Bosco e Silva
[mestranda]
Daisy Peccinini [coordenadora]