A arte dos anos 1970 foi marcada por um amplo repertório de experimentações, que tinham em comum o predomínio da valorização da idéia sobre o objeto artístico. Se, nas décadas anteriores, os artistas já vinham rompendo com os suportes tradicionais, essa década consagrou como experiências artísticas válidas o corpo em performance e trabalhos produzidos com o auxílio de meios tecnológicos, como o vídeo e o computador. A denominada Arte Conceitual se preocupava em materializar processos decorrentes de uma idéia, utilizando suportes muitas vezes transitórios e reprodutíveis, como fotografias, audiovisuais, xerox, off-sets, postais, entre outros. Diante dessa diversidade de meios, o próprio conceito de arte se amplia, abrangendo, a partir de então, novas linguagens.

A Arte Conceitual teve como inspiração principalmente os ready-mades de Marcel Duchamp, objetos retirados do cotidiano das pessoas, e reapresentados como elementos do processo criativo Nesse caso, o artista havia privilegiado a idéia, em detrimento do objeto, já que esse podia ser facilmente encontrado na sociedade. Nos anos 60, alguns artistas revitalizaram o pensamento de Duchamp, enfatizando e registrando o processo mental que originava suas próprias obras. Em referência a essa prática, surgiu no interior das vanguardas o termo “arte conceito”, empregado primeiramente pelo músico Henry Flynt, em 1961, ligado às atividades do Grupo Fluxus de Nova Iorque. Em 1969, na Inglaterra, passou a ser publicada a revista Art Language, tendo como subtítulo “revista de arte conceitual”. Essas expressões eram aplicadas aos trabalhos realizados em meios transitórios, de fácil reprodutibilidade, produzidos muitas vezes em grandes quantidades (como foi o caso da arte postal) e que eram distribuídos por um sistema alternativo aos grandes museus e galerias. No entanto, aos poucos, as próprias instituições começaram a se abrir às novas linguagens que se multiplicavam.

No Brasil, a partir dos anos 70, uma grande variedade de métodos artísticos começou a se espalhar no circuito de exposição, como fotografias (que muitas vezes serviam também para registrar meios transitórios, como as performances), xerox, off-sets, vídeos, filmes, livros de artistas, atos performáticos e muitos outros. Os artistas passaram também a exigir uma maior interação e participação do público, que deixava de ser apenas um expectador para interagir com as obras. Mesmo as instituições como os museus e galerias, tradicionalmente mais conservadores, tiveram que se abrir para as novas linguagens que se multiplicavam. O Museu de Arte Contemporânea da USP, MAC-USP se constituiu, nessa época, como um pólo aberto e incentivador dos artistas conceituais e multimídias, criando um núcleo de produção de vídeos e organizando exposições de arte postal e outros
meios.

Carol Aguiar [bolsista]
Daisy Peccinini [coordenadora]