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A Arte Postal
– ou mail art - surgiu como uma forma de assimilação
e difusão de novos suportes. Desde a década de 1950, o correio
foi utilizado como intercâmbio entre propostas artísticas, mas,
após a década de 1970, passou a ser meio de veiculação
de trabalhos e idéias, dando oportunidade para os artistas e países
que estavam à margem do mercado internacional das artes. O MAC-USP
recebeu inúmeras obras pela via postal nesse período, enriquecendo
seu acervo com manifestações de várias partes do mundo.
Entre os brasileiros, destacam-se iniciativas de artistas como Paulo Bruscky
e Júlio Plaza.
No contexto
de experimentação por novos suportes e linguagens, a arte postal
passou a ser amplamente utilizada nos anos 1970. Desde o Grupo
Fluxus, os artistas passaram cada vez mais a aproximar a arte do cotidiano
e procurar realizar seus trabalhos em meios reprodutíveis e de fácil
divulgação. Nesse sentido, a mail art, esteve ligada
a outras práticas, como o uso do xerox. Procuravam difundir seus trabalhos
sem depender das galerias e museus, principalmente nos países periféricos,
excluídos tradicionalmente do circuito artístico internacional.
Assim, muitos dos artistas que aderiram ao correio costumavam abordar em suas
obras conteúdo político e crítico, principalmente nos
países latino-americanos, em sua maioria vivendo sob o governo de rígidas
ditaduras.
O MAC-USP, na época aberto aos novos suportes como a videoarte, recebeu
muitas produções de arte postal, vindas de varias partes do
mundo, inclusive do leste europeu. Muitos brasileiros também aderiram
a essa prática, expondo seus trabalhos no museu. As exposições
Prospectiva (1974) e Poéticas Visuais (1977) contaram
com obras recebidas via correio, servindo de vitrine para essa nova linguagem
que surgia e se disseminava ao longo da década. Como resultado, a XVI
Bienal de São Paulo (1981), reconhecendo a ampla presença da
arte postal, dedicou-lhe um núcleo especial, organizado pelo artista
Júlio Plaza.
Carolina
Amaral [bolsista]
Profa. Daisy V. M. Peccinini [coordernadora]