De tudo aquilo que pode ser I: esta composição figurativa em linguagem pictórica-narrativa, típica às histórias em quadrinhos, impregnada da imagética urbana contemporânea, e recheada de cores fortes, quentes, industrialmente obtidas, nos faz cúmplices, a nós observadores, de uma cena tipicamente cotidiana: quatro personagens, duas jovens colegiais de mini-saia e duas freiras de batina transitam pela transitoriedade própria à dinâmica urbana; repleta de sinais de trânsito e transformações diárias, constantes, mas no entanto imperceptíveis ao transeunte diário, àquele que olha mas não vê.

De tudo aquilo que pode ser II: uma freira e uma jovem que se fundem em uma única personagem no limiar da faixa de pedestre que estranha, e quase que geometricamente, as sobrepassa... uma freira de mini-saia !?!?

De tudo aquilo que pode ser III: como seu próprio título sugere, nos oferece um universo de infinitas possiblidades quanto à composição de suas imagens. Em uma espécie de brincadeira, de um quebra-cabeça plástico-visual, Cybèle Varela parece convidar ao público à uma participação lúdica, incitando-o não apenas à jogar com o ilusionismo inerente à arte da pintura, senão à redefinir sua posição enquanto observador-participante; isto é, que não mais a de mero contemplador estático apenas.

Ana Claudia Salvato Pelegrini
[bolsista CNPq / PIBIC]
Profa. Dra. Daisy Peccinini
[coordenadora]

De tudo aquilo que pode ser I, 1967
De tudo aquilo que pode ser II, 1967
De tudo aquilo que pode ser III, 1967
Óleo s/ aglomerado de madeira, 80 x 100 cm
Prêmio Aquisição I Jovem Arte Contemporânea