Nesta escultura-objeto, como convencionou-se denominar este tipo de produção na época, encontram-se presentes algumas das temáticas mais recorrentes na produção de José Resende: um comentário sobre o paisagem, uma interferência no espaço. Em “Bibelô: a secção da montanha”, seja a justaposição de elementos tradicionais - madeira e ferro - com outros pouco convencionais - acrílico e terra; seja o confronto entre materiais industriais - acrílico e ferro - com elementos naturais - terra e madeira; ambos se confrontam e justapõem-se.

Em “Bibelô” é o meio urbano - o acrílico - que incorpora, aprisionando a terra, o ar, os elementos da natureza, da qual o homem se ‘libertou’, e agora domina. No entanto a aprisiona como a uma mercadoria em uma vitrine, a qual o espectador vê, mas não possui e/ou deseja possuir. Ao passo em que através desta mesma transparência, própria à natureza industrial do acrílico, o artista parece recolocar-nos a problemática do relacionamento com o espaço, do envolvimento e da utilização do espaço: cerne fundamental da arte de esculpir.

Já que Bibelô ao mesmo tempo em que interfere no espaço, é também, ele próprio permeável a este mesmo espaço; bem como ao olhar de quem o olha.

Prêmio aquisição da I JAC promovida pelo MAC-USP em 1967, Bibelô - parte integrante do conjunto de três obras apresentado pelo artista - é também um ótimo documento de época. O acrílico, por exemplo, material industrial de caráter francamente urbano, foi para a geração de José Resende um dos elementos que mais caracterizam o ambiente moderno. E que entrou para o vocabulário da arte brasileira somente no final dos anos 60.

Ana Claudia S. Pelegrini
[bolsista Cnpq / PIBIC]
Profa. Dra. Daisy Peccinini
[coordenadora]

Bibelô: a seccão da montanha, 1967
Madeira revestida de laminado, acrílico e terra, 116.3 x 30 x 72.4 cm
Prêmio Aquisição I Jovem Arte Contemporânea