GRUPO REX
REX GALLERY & SONS
junho de 1966 a maio de 1967

Irreverente, iconoclasta, ruidoso, polêmico, e...... efêmero. O Grupo REX, da mesma forma que surgiu, também desapareceu: gerando polêmica, causando tumulto.

À origem desta cooperativa artística paulista relaciona-se ao episódio em que Wesley Duke Lee, Nelson Leirner e Geraldo de Barros retiraram suas obras da exposição coletiva Propostas 65, em protesto e em solidariedade ao artista Décio Bar que teve alguns de seus trabalhos censuradas pelo regime militar. Teria sido justamente após este incidente, que estes artistas decidiram não apenas formar um grupo, mas abrir uma galeria e publicar um jornal, como ‘frentes de luta’, para questionar e combater a mistificação da arte e o circuito se formava em torno dela: galerias, marchands, críticos, mídia.

Poucos meses antes deste episódio, em setembro de 1965, Nelson Leirner e Geraldo de Barros já haviam declarado ‘guerra’ também ao predomínio da abstração, em uma exposição conjunta na Galeria Atrium, em São Paulo; na qual apresentavam uma série de objetos.

Sendo assim, em 03 de junho de 1966, dava-se o ‘happening’ de inauguração da REX Gallery & Sons. E como não poderia deixar de ser, polêmica gerou, e tumulto causou. E para aqueles que não haviam comparecido, a edição no.01 do REX Time - leia-se exatamente como se escreve -, avisava : "É a Guerra !"; expunha, de maneira explícita, as pretensões do grupo: vincular a experimentação de linguagens, materiais e suportes às possibilidades de uma arte participante; a intenção de se comunicar com o público, de forma mais imediata e através de métodos menos convencionais; bem como, de elaborar uma crítica séria ao processo de mistificação da obra de arte. Para tanto, além de realizar palestras e exposições coletivas dos membros do grupo ou de artistas convidados como Carmela Grozs e Marcelo Nitsche, procuravam divulgar e informar suas idéias e propostas estéticas através da publicação do REX Time.

E, se local para o funcionamento da galeria, em uma parte da loja de móveis, a Hobjeto, na rua Iguatemi 960, fora cedido por Geraldo de Barros, um dos proprietários da mesma; o nome, REX, fora sugerido por Wesley Duke Lee. Segundo sua Theoria REX, surgida nos anos de Realismo Mágico, REX representava: “uma atitude de vida, com grande sentido interior e que se baseava no uso do banal. Sem medo das circunstâncias, por mais absurdo que possa ser, e que sempre corresponde a uma ordem interna”. Já quanto a irreverência do grupo, coube a Nelson Leirner o destaque como seu maior expoente: suas exposições que se transformavam em ‘happenings’; quando não, em caso de polícia.

Diante da escassez de público e das dificuldades financeiras pelas quais passava a galeria, e o país como um todo, um ano após sua inauguração, seus fundadores convidavam ao público para a exposição de seu encerramento: a “Exposição-Não-Exposição” de Nelson Leirner. No entanto, no convite, este mesmo público era convidado a levar todos os objetos que estivessem expostos na galeria, desde que conseguissem. Já que vários obstáculos haviam sido instalados para dificultar a operação: barras de ferro, blocos de cimento armado, grossas correntes e cadeados, 'ajudados' por um apagão não intencional no local, acabou conduzindo a polícia para o evento apenas oito minutos após o início. Seja como for, este episódio, assim como a singularidade da REX Gallery & Sons, apesar de sua breve existência, marcaram a história das artes visuais do país.

Ana Claudia S. Pelegrini
(bolsista PIBIC/CNPq)
Profa. Dra. Daisy V. M. Peccinini de Alvarado
(coordenadora do projeto)