José Resende (s/d). IN: E agora, José?.  Revista ELLE, abril de 1992. p.39



JOSÉ RESENDE
1945 - São Paulo

Revelando-se um grande talento promissor na I Jovem Arte Contemporânea de 1967, promovida pelo, então também jovem museu, MAC-USP, José Resende foi, com efeito, um dos mais inventivos escultores de sua geração. Incansável na busca por novos materiais e meios de expressão outros, que não mais aqueles tradicionais. Além de escultor, constam também em seu currículo as ocupações - não menos importantes - de arquiteto, pintor, desenhista e professor. Vale dizer, que o magistério foi para José Resende, assim como para muitos outros artistas de sua geração, uma importante alternativa de sobrevivência.

Por volta de 1963, ao lado de outros jovens estudantes de arquitetura, assim como ele, começou a frequentar o ateliê de Wesley Duke Lee, com quem tinham aulas de pintura e desenho. Acontece que Wesley além de um grande artista, se encontrava também em sintonia com as últimas novidades da produção internacional - a norte-americana, em particular; o que conferia ao seu ateliê um clima inspirador para seus novos discípulos. Em depoimentos posteriores Resende afirmaria que fora justamente este clima que o incentivou a começar a produzir sua própria arte. Suas esculturas-objetos desta época sugerem uma clara influência, tanto do estilo cosmopolita de seu professor, como uma certa incidência da perspectiva da pop arte, principalmente pelo uso de novos materiais, produtos de uma sociedade urbana e industrial; e que só começariam a entrar efetivamente no vocabulário da arte nacional já no final da década - principalmente após a IX Bienal de São Paulo, cujo predomínio da pop arte fora indiscutível. E da qual Resende também participou.

Em 1966, a convite de Wesley, integrou ao lado de Nelson Leirner, Geraldo de Barros, Carlos Fajardo e Frederico Nasser o ruidoso, iconoclasta e efêmero Grupo Rex, o qual deixaria de existir um ano após sua criação, em 1967; poucos meses antes da realização da I JAC.

Em 1970, com propostas similares e entre exposições coletivas, cria, ao lado de Baravelli, Fajardo e Nasser, a Escola Brasil : - dois pontos -, que além de uma escola de ensino livre de artes, também representava uma tentativa de intervir no meio artístico brasileiro consoante o que se fazia de mais avançado na arte internacional. Posto que pela iminência das dificuldades políticas que o país passava, e apesar da enorme censura e repressão policial, o radicalismo nacional, fosse de esquerda, fosse de direita, acabava sufocando por vezes as experimentações estéticas e/ou comportamentais, que tanto haviam marcado os anos 60, e sua geração.

Atuariam assim em equipe até 1974, quando com o encerramento da escola o grupo se dispersa, e seus integrantes passam a se dedicar mais exclusivamente à suas produções individuais. No ano seguinte, em sua primeira exposição individual, Resende e seu trabalho são ovacionados, tanto pelo público, como pela crítica. No entanto era apenas o começo para a sua consagração como um dos melhores escultores nacionais.

Único escultor representante oficial do Brasil, deferido com Menção Honrosa na XI Bienal de Paris em 1980; em 1988, recebe o direito à sala especial na LXIII Bienal de Veneza e na Mostra dos Jogos Olímpicos de Seul; sendo convidado em 1992, ao lado de sua mulher, também escultura, Jac Leiner, e do carioca Cildo Meireles, para expor no mais importante evento do mundo artístico contemporâneo, Documenta 9, em Kassel na Alemanha.

Atualmente, a crítica costuma identificar seu trabalho tanto com as tendências da arte povera, no que concerne a utilização de materiais naturais, ou derivados da natureza, na construção de cenários e/ou ambientes; quanto as do minimalismo, pelo emprego de estruturas geométricas elementares e de materiais industriais, ou pela monumentalidade de suas obras. Mas para o artista, a função dos materiais que emprega em seus trabalhos é outra: para ele é infinita a possibilidade de livres associações entre os mais diversos materiais. Sendo esta sim, esta infinita possibilidade, o móvel de sua curiosidade plástica.

Ana Claudia Salvato Pelegrini
(bolsista PIBIC/CNPq)
Daisy Peccinini
(coordenadora do projeto)