VOCÊ FAZ PARTE II, 1964
Montagem em materiais diversos: madeira, aço cromado, espelho e aglomerado de madeira
113,3 x 113,3 x 10,2 cm
Doação do artista

Expressiva representação da idéia dos artistas dos anos 60, de transformar o espectador em participante, esta obra aberta - em perfeita concordância com seu título: "Você faz parte" - ; mediante o recurso de espelhos, despertando-nos da pura contemplação, deflagra-nos não apenas nossa realidade visível e vidente, mas também o sentimento de que também somos parte integrante e atuante. Não apenas da obra, ao nos deparamos com nossa própria imagem nela refletida; senão do processo artístico em si; já que ao ver nossa imagem refletida - olhando-nos olhando -, nos damos conta que o trabalho, de forma direta e reflexiva, também nos diz respeito. Ao passo em que também pode suscitar especulações do tipo: será por intermédio desta nova idéia de arte que a arte se reconciliará com a vida, e a obra com o espectador ?
Seremos nós então, enquanto participantes ativos ao invés de público espectador, a chave - interpretada como imagem do abrir e fechar, que simultaneamente é a expressão do poder transferido ao seu possuidor- que estava faltando para a revelação do mistério: mas afinal, o que é, ou deveria ser, a arte e sua função social ?
Tipo de criação iniciado por M. Duchamp, já nas primeiras décadas do século XX, e levada aos seus estertores pelo teórico italiano Umberto Eco nos anos 60, este conceito de obra aberta uma obra inacabada em perpétuo acabamento em busca de significação, deve ser compreendida como um texto no qual a especulação é o seu único personagem; isto é, esta leitura é apenas mais uma leitura.

Ana Claudia Salvato Pelegrini
(bolsista PIBIC/CNPq)
Daisy Peccinini
(coordenadora do projeto)

DOREMIFASOLASIDORE......, 1965
Tríptico: montagem com materiais diversos: ferro, madeira, aglomerado de madeira, alumínio, sinos, fios de arame etc.
130,0 x 375,0 x 30,0 cm
Doação do artista

Parte integrante do conjunto de obras apresentado pelo artista na IX Bienal Internacional de São Paulo, em 1967 - a Bienal que posteriormente ficaria conhecida como a 'Bienal Pop'; esta obra, ou melhor, este objeto, faz uma clara referência aos instrumentos musicais, e consequentemente, a música em si. Concebido originalmente para ser manuseado pelo público, que como toda a produção artística de Nelson Leirner desta época, o pressupunha, ou o incitava a ser participante, este objeto, um pouco neo-realista, um pouco pop, e um muito Nelson Leirner, era ele próprio um instrumento musical 'exótico'. Infelizmente, hoje em dia, quando em exposição não lhe é mais permitida a manipulação pelo público, já que alguns anos atrás, em sua última exposição 'manipulável' foi seriamente danificado.

Ana Claudia Salvato Pelegrini
(bolsista PIBIC/CNPq)
Daisy Peccinini
(coordenadora do projeto)