Catálogo da Exposição "Nelson Leirner". São Paulo, Galeria Atrium, setembro de 1965



Nelson Leirner na Exposição "Não-Exposição" da Rex Galerry & Sons, 1967. In: Chiarelli, Tadeu. "Nelson Leirner: arte e não arte". São Paulo: Brito Cimino, 2001. p. 172












Convite da Exposição "Não-Exposição", happening de encerramento da Rex Gallery & Sons, São Paulo, 25 de maio de 1967.  Centro de Documentação MAC-USP.

Happening da Exposição "Não-Exposição", Rex Gallery & Sons, São Paulo, 25 de maio de 1967.  In: Chiarelli, Tadeu. "Nelson Leirner: arte e não Arte". São Paulo: Galeria Brito Cimino, 2001. p.82.

Happening da Exposição "Não-Exposição", Rex Gallery & Sons, São Paulo, 25 de maio de 1967.  In: Chiarelli, Tadeu. "Nelson Leirner: arte e não Arte". São Paulo: Galeria Brito Cimino, 2001. p.82.

NELSON LEIRNER
1934 - São Paulo, São Paulo.

Polêmico, irreverente e, acima de tudo, contestador, Nelson Leirner - pintor, desenhista, escultor e ambientalista - é, ainda hoje, um dos mais expressivos representantes do espírito vanguardista de experimentalismo estético e comportamental, tão característico àqueles tempos de “contracultura”, que o foram os anos 60, no Brasil e no mundo.

Paulista, nascido no ano de 1932, em um família de artistas - sua mãe é a escultora Felícia Leirner e sua irmã, a desenhista Giselda Leirner -, Nelson inicia-se na pintura somente em 1956; após seu egresso do curso de Engenharia Têxtil, nos EUA; primeiramente, como aluno do espanhol Juan Ponç, depois do alemão Samson Flexor.

E embora, já em 1958, fosse apontado pela crítica como um jovem talento promissor, ao ser premiado no Salão Paulista de Arte Moderna (SPAM), Nelson Leirner destacaria-se no meio artístico justamente por sua atitude contestatória e irreverente perante a arte e o circuito que a cerca. Atitude esta aliás, tão característica ao ruidoso Grupo REX, do qual foi um dos fundadores, em 1966. Isto posto, não por acaso que, em 1967, foi o primeiro artista não recusado a um salão a indagar ao Júri do Salão de Brasília, por intermédio de uma carta publicada em jornal, quais haviam sido os critérios utilizados para a aceitação de seu trabalho como obra de arte: um porco empalhado com um presunto pendurado em seu pescoço.

Um dos primeiros artistas brasileiros a absorver as atitudes e os processos que vinham marcando a franca internacionalização da arte pop, Nelson começa, a partir de 1964, a trabalhar com objetos; demonstrando especial predileção pela apropriação de materiais e técnicas industriais, bem como, pela manipulação de ícones da sociedade urbana e de consumo. Em 1965, foi um dos primeiros a criar múltiplos no país : conceito de peça única, mas de tiragem infinita, resultado da acumulação de trivialidades industrializadas; e que aparece como um sério questionamento à obra individualizada, à sagrada obra única.

Preocupação constante em sua trajetória artística: fazer com que a arte, transbordando de seu circuito institucional, atingisse as ruas e ali suscitasse novas indagações, várias foram as estratégias estéticas e/ou comportamentais experimentadas por Nelson; ainda que, na maioria das vezes, gerassem polêmica e estranhamento causassem. Como por exemplo, o "happening" de encerramento da efêmera REX Gallery & Sons, no qual oferecia ao público, gratuitamente, as obras então expostas ('Exposição-Não-Exposição', 1967); ou o episódio das bandeiras estendidas na esquina da avenida Brasil com a rua Augusta, que confundidas com mercadoria de vendedores ambulantes, foram apreendidas por fiscais da prefeitura ('Bandeiras na Praça', 1967); ou dos "outdoors" espalhados pelas ruas da cidade confundidos com cartazes publicitários de uma escola de arte ('Aprendendo colorindo gozar a cor', 1968); ou então, da enorme instalação de 5 mil metros de plástico negro na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, destruída pelos alunos antes mesmo da abertura do evento (1971); ou ainda, do cancelamento de uma exposição por razão do texto, de autoria do artista, estampado no convite para a abertura ('Pague para ver', 1980).

Considerado um dos artistas brasileiros mais irreverentes desde então, este profissional do imprevisto é, sobretudo, um artista coerente na perseguição de seus fins artísticos - a desmistificação do valor da obra única e de seu protagonista, o artista, através da multiplicação e popularização do objeto de arte; bem como, a participação do público, mesmo quando em um jogo de pingue-pongue em que apenas 'invisíveis' jogam: 'ambiente' apresentado na Bienal Internacional de São Paulo de 2002, com o título "A democracia é um jogo".

Ana Claudia Salvato Pelegrini
(bolsista PIBIC/CNPq)
Daisy Peccinini
(coordenadora do projeto)