Wesley no aeroporto de Congonhas, São Paulo, 1985. Foto de Sabine Berg. IN: Catálogo da Exposição "O Triumpho de Maximiliano I". São Paulo, Galeria de Arte São Paulo, 22 de dezembro de 1986 a 30 de janeiro de 1987.



WESLEY DUKE LEE
1931 - São Paulo, SP

Ao longo da década de 60, Wesley foi arduamente criticado tanto por sua postura artística, vista sem nenhum compromisso ou espírito crítico perante aos acontecimentos sócio-políticos de seu meio, como por sua confessada simpatia pela direita política, ou ainda, por sua não disfarçada admiração pela cultura norte-americana. No entanto, passado algum tempo - e este é implacável -, e superada a dicotomia tão característica da época - esquerda nacionalista X direita alienada -, já é tempo de dar a Wesley o que é de Wesley. Excelente desenhista, embora seja um artista que sempre se valeu dos mais diversos meios e/ou materiais para se expressar - do nanquim à pintura por computador; Wesley foi um dos impulsionadores do movimento de renovação da arte contemporânea brasileira. Tendo sido também o responsável pelo primeiro “happening” realizado no país.

Iniciou-se nas artes plásticas, em 1951, nas classes de desenho livre do MASP. Mas devido a ausência de escolas de artes no país naquela época, em 1952, vai para os EUA - quando por aqui a moda ainda era ir para a Europa - estudar artes gráficas aplicadas, na Parsons School of Design de Nova Iorque.

De volta ao Brasil, em 1955, recebe duas Menções Honrosas no I Salão de Propaganda de São Paulo. Aliás a publicidade, foi durante muito tempo uma alternativa para endossar o orçamento do artista. Em 1958, em mais um breve intervalo entre suas estadias no exterior, tem a oportunidade de conhecer K. Plattner, pintor italiano radicado em São Paulo, com quem, além de experimentar técnicas com afresco e têmpera, na qualidade de ajudante, segue para a Europa afim de executar um imenso mural, em Salzburgo, na Áustria. Já em 1960, determinado a trabalhar tempo integral com pintura e desenho, instala-se definitivamente em São Paulo, com ateliê na rua Augusta, 2.192 - o grande eixo dinâmico da juventude paulistana -; realizando, já em 1961, sua primeira individual.
Em 1963, na noite de inauguração da exposição, realizada no, hoje extinto, João Sebastião Bar, em que apresentava ao público a proposta de um novo olhar sobre a realidade, um olhar mágico; uma bailarina fazia um anti-strip-tease ao passo em que um ventilador espalhava espuma de sabão, confete colorido e penas de galinha sobre a platéia, que de posse de uma lanterna, esforçava-se para contemplar, em uma semi-escuridão, suas pinturas eróticas da Série Ligas. Realizava-se o primeiro “happening” no Brasil, com direito a leitura de um protesto, em forma de agradecimento, contra os críticos de arte; conquanto nascia o Realismo Mágico, movimento com tendências narrativas, sob a ascendência da arte pop, mas fundamentalmente, enraizado no surrealismo. Neste mesmo ano, acontecia a primeira mostra individual do pintor na Europa, em Milão, na Itália.

Já em 1964, Wesley - um cosmopolita por natureza - passava a integrar o movimento internacional PHASES, também com tendências surrealizantes. E em 1965, participava e era premiado na VIII Bienal de Tóquio.

Em 1966, ao lado de Nelson Leirner, Geraldo de Barros, e alguns de seus discípulos, também incomodados com a situação do objeto artístico tradicional - artigo comercial e mercadoria sem função, símbolo de status social -, e decididos a agir imediatamente, fundam a efêmera e ruidosa Rex Gallery & Sons. Já na década de 70, mas também no bojo desta atitude de romper com o circuito artístico vigente, Wesley, após ter seu manifesto publicado na imprensa, no qual dizia que de ora em diante exporia somente em museus ou salas públicas, retira-se do mercado de arte, ao longo de uma prolongada ausência de 06 anos. Retornando a expor em galerias somente em 1976.

Diretamente filiada a informação norte-americana, ao movimento da Arte Pop em particular, mas de caráter internacionalista no geral, a obra de Wesley foi, e continua sendo, profundamente marcada por sua necessidade de perceber o inconsciente; já que a arte para ele é um contínuo processo de auto-conhecimento.

Ana Claudia Salvato Pelegrini
(bolsista PIBIC/CNPq)
Daisy Peccinini
(coordenadora do projeto)