Fotografia de Arnaldo Pappalardo. IN: catálogo da exposição C.A. Fajardo: Pinturas. São Paulo, Galeria Luisa Strina, 1978.


Esquerda para direita: Frederico Nasser, José Resende, Carlos Fajardo; Luiz Paulo Baravelli, sentado. Foto reproduzida de Wesley e a Escola Brasil. IN: Duarte, Paulo Sérgio. Anos 60: Transformações da Arte no Brasil. Rio de Janeiro: Campos Gerais, 1998. p.300.

CARLOS Alberto FAJARDO
1941 - São Paulo, São Paulo

Se para Carlos Fajardo, arquiteto, pintor e escultor, a inventividade, o experimentalismo, e a liberdade de meios, foram sempre o motor de sua poética. Para Carlos Fajardo, professor desde 1965, o ensino de arte, desvela-se como um meio de expressar, teoricamente, tudo aquilo que há muitos anos procura demonstrar, praticamente, através de suas obras.

Fajardo começou a estudar pintura, desenho, comunicação visual e história da arte, no ateliê de Wesley Duke Lee, no mesmo ano em que ingressou na faculdade de arquitetura, em 1963.

O contato com Wesley foi sem dúvida decisivo não só para a escolha de sua definição artística, como para o desenvolvimento de uma atitude acirradamente esteticista, como recusa a qaulquer tipo de arte de participação, a tendência desta década. Do mesmo modo que o foi para seus colegas, José Resende e Frederico Nasser; que assim como Fajardo, também participaram, em 1966, da fundação do ruidoso Grupo Rex e da efêmera Rex Gallery & Sons. Da qual, acabaram se afastando para trabalhar com mais autonomia, após o seu fechamento, em 1967. Neste mesmo ano, participou da I Jovem Arte Contemporânea no MAC-USP, e da IX Bienal Internacional de São Paulo.

Em 1970, novamente ao lado de Resende, Nasser e Baravelli, e muito provavelmente por influência de seu ex-professor, que por sua vez havia sido aluno do italiano Plattner, com a condição de no futuro também tornar-se mestre de jovens iniciantes, fundam em um enorme galpão na avenida Rouxinol, esquina com a Santo Amaro, a então chamada Escola Brasil; que vigoraria como uma escola de ensino livre de arte, até 1974, ano em que se encerram suas atividades.

Fajardo, no entanto, nunca abandonou a atividade de professor, e continuou a lapidar o talento de dezenas de jovens paulistas, em seu ateliê da rua Pamplona, ao longo de toda década de 80. Quando também passava a ficar mais conhecido por seus trabalhos tridimensionais; sobretudo, por sua sistemática e incansável pesquisa e utilização de novos materiais, por estar sempre procurando explorar a carga expressiva própria de cada um.

E embora muitos críticos, considerem que o conjunto de sua obra posiciona-se a meio termo entre a pintura e a escultura; quando é interpelado com tal questão, se é pintura ou objeto; Fajardo costuma responder que: “Não, não é pintura, mas um meio de discuti-la. Mas também não são objetos, mas superfícies que discutem as propriedades das superfícies”. De todo modo, e seja como for, pintura ou objeto, objeto ou escultura, é exatamente na dúvida que reside o vínculo que liga a todos os seus trabalhos.

No final década de 90, em 1998 exatamente, já consagrado e experiente, tanto por seu trabalho como artista, quanto como professor, Fajardo elabora e defende sua tese de doutorado: “Poéticas visuais: a profundidade e a superfície”, na Escola de Comunicação e Artes da USP; onde, desde então, é professor titular.

Em 2002, escolhido para representar o Brasil na XXV Bienal Internacional de São Paulo, com sala especial, constrói uma espécie de "espaço de reclusão" para os visitantes: uma imensa caixa de vidro espesso, sem som, com piso de mármore irregular e um corredor em forma de labirinto.

Ana Claudia Salvato Pelegrini
(bolsista PIBIC/CNPq)
Daisy Peccinini
(coordenadora do projeto)