1943 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro

Em plena sintonia com o cenário carioca de intensas e apaixonadas discussões acerca de proposições políticas e/ou artístico-culturais, a produção gráfica de Rubens Gerchman dos anos 1960, caracterizou-se, particularmente, por seu extremo vigor narrativo: por sua vontade de informar, de comunicar-se, com os milhares de Joãos, Marias e anônimos, seja da classe média ou do subúrbio carioca, mas que compartilham das mesmas alegrias e angústias, dos mesmos ídolos, símbolos sexuais ou sonhos de consumo. Como uma tentativa de refletir sobre as consequências alienantes dos processos de comunicação de massa no mundo contemporâneo.

Exímio desenhista, entrou em contanto com as artes gráficas ainda menino, no estúdio de desenhistas gráficos de seu pai, artista gráfico e desenhista de publicidade. Entre 1957 e 1958, estudou gráfica do Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro e, de 1959 a 1961 - salvo um breve interregno, devido ao serviço militar obrigatório - cursou a Escola Nacional de Belas Artes; quando frequentou o ateliê de gravura em madeira de Adir Botelho.
Nos anos que se caracterizaram como os mais fecundos da arte brasileira da década de 1960 - de 1964 a 1967; Gerchman integrou as mais importantes mostras-exposições-eventos da época: II Jovem Desenho Nacional- MAC; Opinião 65; happening inaugural da Galeria G-4; Tropicália; Opinião 66; Nova Objetividade Brasileira - quando expôs "Lindonéia", obra síntese do tropicalismo musical dos anos 1960; IX Bienal de São Paulo; e a I Bienal de Salvador: destacando-se em primeiro lugar na categoria de arte experimental. Foi também entre os anos de 1958 e 1966, que trabalhou nos principais veículos de comunicação da capital carioca, como profissional gráfico.

Vencedor do prêmio viagem ao exterior, no XV Salão de Arte Moderna-RJ, de 1966, com a obra “A ditadura das coisas”; Gerchman ouviria a promulgação do AI-5, durante sua travessia marítima, rumo aos EUA. Lá, e mediante a experimentação de novos meios, suportes e/ou materiais de tecnologia avançada, Gerchman incursiona por vertentes mais formais, conceitualistas. Em 1970, estuda vídeo por seis meses na Universidade de Nova iorque. Quando de seu retorno ao país, em 1971, como fruto destas pesquisas e grande contribuição para a arte contemporânea brasileira, conclui a produção de seu filme Triunfo Hermético.

Entre 1974-75, e de entremeio a atividade de direção da Escola de Artes Visuais do Departamento de Cultura do Estado do Rio, que assumiria entre 1975-79; foi co-fundador de Malasartes: tentativa de criação de uma revista destinada ao debate a à experimentação em artes.

Temporariamente, mas não absolutamente, desligado de sua pintura narrativa acentuadamente crítica e denunciadora, voltada para o folclore urbano, Gerchman, voltando a se dedicar quase que exclusivamente à ela, em meados da década de 1970, retoma também seu universo temático dos anos 1960. Mas, não por nostalgia, senão porque Rubens Gerchman fora, é, e continuará sendo um dos mais perspicazes e competentes cronistas visuais que a cidade do Rio de Janeiro já concebeu.

Ver análise da obra É proibido dobrar à esquerda

Ana Cláudia Salvato Pelegrini
[bolsista IC - CNPq]
Profa. Dra. Daisy Peccinini
[orientadora MAC-USP]