Petrópolis - RJ, 1943

A produção plástica desta pintora carioca, há muitos anos residente na Europa, e cuja constância em importantes exposições no exterior, ainda hoje, é surpreendente para um artista brasileiro; não por acaso, surpreendeu ao crítico de arte francês Pierre Restany no início da década de 1970. Tal reconhecimento lhe valeu a inclusão entre os Novos Realistas franceses.

Tendo demonstrado interesse por pintura ainda menina, seu primeiro professor foi seu pai, aos 18 anos tornou-se aluna de Georgina de Albuquerque e Frank Schaeffer. Pouco menos de um ano, quando de sua primeira participação em uma exposição coletiva, no Salão dos Artistas Brasileiros do Rio de Janeiro, em 1961, era destacada com menção honrosa pela Associação dos Artistas Brasileiros. No ano seguinte, realiza sua primeira individual; e ingressa no curso de pintura do MAM, onde veio a ser aluna de Ivan Serpa.

Destacando-se sobretudo por uma linguagem pictórica-narrativa de alto teor social, carregada de referências e ícones da vida urbana contemporânea, Cybèle, que integra a seção brasileira na IX Bienal Internacional de São Paulo e é prêmio aquisição da I Jovem Arte Contemporânea em 1967; significativamente, integra ao lado de outros artistas com temáticas e linguagens afim, a exposição “O Artista Brasileiro e a Iconografia de Massas”, no ano de 1968, pouco antes de mudar-se para Paris. Primeiramente, como bolsista do governo francês, na Escola do Louvre, depois na Escola de Estudos Avançados, também em Paris. Sua transferência para a Europa, no entanto, fora definitiva; salvo alguns breves retornos ao Brasil ao longo da década de 1970.

E, ao passo em que vai aprofundando seus estudos em arte e história da arte, incursionando por outros suportes, mais tecnológicos, e/ou entrando em contato com as novas correntes conceituais européias, o interesse sociológico de suas pinturas vai sendo gradualmente substituído por pesquisas de questões mais diretamente relacionadas a própria imagem e a sua construção. As cores fortes, quentes, por vezes violentas, mas sobretudo tropicais, serão no entanto, uma constante em sua obra.

Ana Claudia Salvato Pelegrini
[bolsista CNPq/PIBIC]
Profa. Dra. Daisy Peccinini de Alvarado
[orientadora MAC-USP]


Cybèle Varela


De tudo aquilo que pode ser I, II e II
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