1941 - Niterói, Rio de Janeiro.

No final dos anos 1960, enquanto as manifestações artístico-culturais tentavam ocupar o vácuo político e cultural que a violenta repressão militar pretendeu gerar, ao denunciar a condição da mulher, escrava dos preconceitos que a acorrentavam e feriam-na, torturando-a; Sonia reivindicava liberdade mais ampla não só a mulher, como a todo ser castrado e reprimido pela ordem social então vigente.

Considerada uma das melhores desenhistas brasileiras, de início de nítida inspiração surrealista e fantástica, e depois sob uma vertente mais construtiva e monumental, em ambos os casos, a artista fixou-se em torno da condição feminina, da questão mulher-objeto-signo.

Aluna do curso de desenho do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, então ministrado por Ivan Serpa, de quem recebeu uma nítida influência expressionista e geométrica, Sonia inicia sua carreira, no difícil ano de 1968, aderindo as tendências neo-figurativistas e neo-realistas do período, e participando das principais coletivas do Rio de Janeiro, como: Salão da Bússola, Salão de Verão, etc.

Já em 1969, participa com uma série de objetos tridimensionais da mostra O OBJETO, primeira coletiva do gênero realizada no Rio de Janeiro. Em 1970, participa dos Domingos de Criação (evento organizado por Frederico Morais nos jardins do MAM-Rio) no qual apresenta como obra uma grande folha de espuma, cuja forma se conformava mediante as intenções do público participante (soft sculpture).

Na década de 1980, quando se muda para São Paulo, o geometrismo de suas formas, de início ainda um pouco tímido em meados dos 70, adquire ampla visibilidade em seu trabalho. Segundo Sonia: "São Paulo é uma cidade esmagada por prédios. A influência das formas é geométrica".

Evocando esta relação da artista com o seu novo entorno, a série comemorativa de seus 25 anos de atividade artística, intitulada Círculos Partidos, de 1993, apresenta um conjunto de quadros de grandes formatos, nos quais círculos fragmentados de cânhamo e madeira se intersectam e geometricamente justapõem-se.
No final dos anos 1990, realiza uma série de interferências em cartazes e anúncios em estações de metrô e em outros espaços públicos de grandes cidades como Londres, Paris e Nova Iorque. Em São Paulo, é a artista escolhida para a realização da maior obra de Arte Pública em pintura realizada até 1998: pintar os três quilômetros de uma das laterais do Elevado Costa e Silva (Minhocão). Interferindo agora no olhar de quem passa, Sonia continua a enfatizar sua vontade de se comunicar.

Ana Claudia Salvato Pelegrini [bolsista PIBIC-CNPq]
Daisy V. M. Peccinini [coordenadora]


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Cildo Meireles

Sonia von Brusky

SONIA VON BRUSKY

Artista (atrás “Desenho”, 1968. Bico de pena e nanquim, 28 x 45 cm.). Fotografia Arquivo da artista. Ver ampliado.Ver análise da obra.“Auto-Retrato”, 1969. Óleo s/ tela, 45 x 35 cm. Coleção do Artista. IN: PECCININI ALVARADO, Daisy. “Pintura no Brasil: um olhar no século XX”. São Paulo: Nobel, 2000. p.99. Ver ampliada.Interferências realizadas na lateral do Elevado Costa e Silva (Minhocão) em São Paulo/1998. Cartão Postal. Ver ampliado.