Referência: http://www.arcoweb.com.br/entrevista/entrevista47.asp

Nasc.: São Paulo, São Paulo, 1928

Pioneiro, o artista-designer Alexandre Wollner percebeu, nos anos 50, que a proximidade entre arte e vida poderia dar-se ao trabalhar diretamente nos meios de produção urbanos, que surgiam em São Paulo. Era uma época em que design era uma causa, e não um estilo.

De 1951 a 1953, estudou no Instituto de Arte Contemporânea do MASP, recém criado em 1950 por Pietro Maria Bardi, Lina Bo Bardi e Jacob Ruchti. São Paulo era palco de grandes transformações culturais, em que surgia a moderna comunicação visual. “O IAC, e principalmente a vivência e a convivência no ambiente do MASP daqueles anos aprimoraram minha capacidade intuitiva e permitiram-me perceber a possibilidade de participação social do artista através do design”, disse Wollner, para o jornal Folha de S. Paulo, em 06/08/80. Seus trabalhos, assim como os de Maurício Nogueira Lima e Antonio Maluf, são pioneiros do design gráfico no Brasil. Por seus trabalhos neste instituto, recebeu uma bolsa de estudos na Alemanha, em Ulm, na famosa escola de design “Hochschule fur Gestaltung”, advinda da Bauhaus.. Lá estudou com Max Bill, Johannes Ittem, Josef Albers, Walter Peterhans, entre outros grandes nomes da arte e do design moderno. "A nossa turma do ano de 1954 foi drasticamente treinada para a ciência e tecnologia. Nem eu estava preparado para isso, afinal eu era um artista”, contou em entrevista para a revista D'Art, no 5.

Como artista plástico, realizou entre 1951 e 1954 pinturas geométricas que utilizavam a linguagem da gestalt visual, cujo aprendizado certamente veio de sua experiência como programador visual. Trazia também materiais industriais para o campo das artes plásticas, como o eucatex. Expôs na II Bienal Internacional de São Paulo, em 1953, onde ganhou um prêmio de jovem pintura. Seu ideal de união entre arte e indústria o aproximou dos artistas da arte concreta paulista, o Grupo Ruptura, com o qual expôs na I Exposição Nacional de Arte Concreta (MAM-SP, 1956; MAM-RJ, 1957), e na mostra Konkrete Kunst (Zurique, 1960).

Depois de sua experiência em Ulm, voltou a São Paulo em 1958, com projetos de modernização do design e das artes no Brasil. No mesmo ano, fundou a Form-Inform (considerada a primeira empresa de design do país), com Geraldo de Barros e Rubem Martins. De 1959 a 1960, trabalhou no Departamento de Comunicação Visual da Panam Propaganda, com Hermelindo Fiaminghi e Décio Pignatari. Foi um dos organizadores da Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI), no Rio de Janeiro, entre 1962 e 1963. “O objetivo dessa escola era implantar o conceito de design para os empresários e para a nossa cultura” (D` Art, no 5). Neste mesmo ano, foi um dos fundadores da Associação Brasileira de Desenho Industrial (ABDI). Seus trabalhos nos mostram a forte ligação entre arte concreta e o design industrial, e como os artistas dos anos 50 faziam de cada obra a modernização cultural do Brasil.

Tatiana Rysevas Guerra
[bolsista]
Profa. Dra. Daisy V. M. Peccinini de Alvarado
[coordenadora do projeto]