Nasc.: Santo André, São Paulo, 1924
Morte: São Bernardo do Campo, São Paulo, 2003

“Depois da invenção da máquina fotográfica não faz mais sentido pintar figuras”, disse o artista em entrevista à revista E, em março de 2002. Sacilotto é sinônimo de arte concreta, em seus aspectos biográficos - era um homem urbano e operário industrial -, e na a precisão e na dinâmica de sua obra.

Nasceu e viveu em Santo André, um dos maiores centros industriais de São Paulo. Estudou desenho no Instituto Profissional Masculino do Brás, de 1938 a 1943, e também na Associação Paulista de Belas-Artes, de 1944 a 1947. Em 1947, integrou a exposição 19 Pintores, na Galeria Prestes Maia, ocasião em que conheceu Waldemar Cordeiro. “Comecei a desenhar já em expressionista, mas já deformando demais. (...) A minha vontade interior era: eu tinha que mudar. (...) E quando chegou o Cordeiro, também expressionista, figurativo, ele também começou a se interessar e nos encontrávamos em barzinhos, comendo lá frango com cabrito e fomos mudando”, lembra Sacilotto, em uma entrevista em 2002, disponível na biblioteca do MAC-USP.

A relação entre arte, arquitetura e o universo industrial começou desde cedo. Trabalhou como desenhista de letras no Sistema de Máquinas Hollerich, como publicitário e desenhista de arquitetura nos escritórios dos arquitetos Vilanova Artigas e Jacob Ruchti, e como projetista de esquadrias de alumínio para produções fabris.

“Eu levava minha vida profissional, então eu chegava em casa e pintava (...), mas não tinha uma quebra do tipo agora vou pintar. Não havia uma diferença, era a mesma coisa, mesmo porque as duas funções tinham ligação. (...) Estava integrado, aquilo do desenho de prancheta, para o que fazia em casa”, conta Sacilotto, em entrevista em 2002 citada acima. Por um lado, utilizou materiais como alumínio, ferro, madeira e esmalte. Por outro, optou pela redução de elementos, pelas composições binárias e pela precisão do projeto para gerar no olho do espectador a sensação de movimento.

Estes elementos construtivos o levaram a co-fundar o Grupo Ruptura, que se reunia para discussões artísticas desde o fim da I Bienal de São Paulo. Expôs com o Grupo em 1952, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, quando assinou o Manifesto Ruptura. Também participou com o grupo da Exposição Nacional de Arte Concreta, em 1956/57, no MAM-SP e MAM-RJ, e da mostra Konkrete Kunst, em Zurique, em 1960, organizada por Max Bill. Durante toda sua vida se manteve fiel aos ideais concretistas.Em entrevista publicada no Estado de S. Paulo, em 11/02/03, disse: “quando olho a TV, quando vejo a Xuxa, não olho aqui que estão fazendo, mas o que está no fundo, o cenário, o chão, os sinais. O mundo não pára, está em constante mutação e, portanto, a visualidade nunca se esgota".

Tatiana Rysevas Guerra
[bolsista]
Profa. Dra. Daisy V. M. Peccinini de Alvarado
[coordenadora do projeto]