Referência: CABRAL, Isabella; REZENDE, M. A. Amaral. Hermelindo Fiaminghi. São Paulo: Edusp, 1998. p. 69

Nasc.: Recife, Pernambuco, 1930
Morte: Campinas, São Paulo, 1999

“A obra de Maurício caracteriza-se, desde os anos 50, por uma tradição construtiva, em que os elementos estruturais se interligam à organização cromática, conferindo à superfície da tela um diálogo vivo e constante de cores e formas. O método de sua produção evidencia sua poética não-representativa. O trabalho nasce na diagramação do espaço”, comentou Cláudio Tozzi, no livro Maurício Nogueira Lima, 1995.

Maurício Nogueira Lima veio para São Paulo com a família aos dois anos. Estudou artes plásticas em Porto Alegre, no Instituto de Belas Artes da Universidade do Rio Grande do Sul, de 1947 a 1950. Voltou a São Paulo em 1951, época em que surgiram novas possibilidades de trabalho no campo da comunicação visual, com os cursos do recém criado Instituto de Arte Contemporânea do MASP. Neste local, cursou comunicação visual, desenho industrial e propaganda, e conheceu Alexandre Wollner e Antonio Maluf, com os quais realizou trabalhos pioneiros do design gráfico moderno no Brasil.

A linguagem dos cartazes, que se utilizava da gestalt visual, foi aplicada às suas obras como artista plástico. Esta linguagem tinha forte relação com a arte concreta e, em 1953, integrou o Grupo Ruptura, a convite de Waldemar Cordeiro, que ficou impressionado com seus trabalhos. Expôs com o grupo durante toda a década de 50, em mostras como a I Exposição Nacional de Arte Concreta (MAM-SP, 1956; MAM-RJ, 1957), e a Konkrete Kunst (Zurique, 1960). Foi selecionado para expor na Bienal de Veneza em 1954, mas recusou o convite por não terem sido convidados os demais membros do grupo. De 1953 a 1957, cursou Arquitetura e Urbanismo no Mackenzie, em São Paulo. Nessa época, conta que Cordeiro o auxiliava nos trabalhos de projeto da faculdade. Depois de formado, Nogueira Lima assinava alguns documentos da empresa de paisagismo “Jardins de Vanguarda”, de Cordeiro, pois este não possuía registro como arquiteto. Inserido no contexto urbano de São Paulo, fez logotipos e projetos para stands para as primeiras grandes feiras industriais, como a FENIT (Feira Internacional da Indústria Têxtil), em 1958, e o Salão do Automóvel, em 1960. O percurso de Nogueira Lima nos mostra como a moderna comunicação visual, a arte concreta e a arquitetura sempre estiveram ligadas.

Em 1964, com a instauração da Ditadura Militar, começou a trabalhar a figuração em suas obras, com a utilização de ícones da cultura de massa. Iniciou em São Paulo, ao lado de Geraldo de Barros, a Figuração Narrativa. No final da década de 60, foi um dos organizadores da mostra Nova Objetividade Brasileira. Em 1974, iniciou sua atividade como docente, na FAU-USP. Anos depois, também lecionou na FAAP, no Mackenzie, e nas Faculdades de Arquitetura e Urbanismo de Santos, de Tatuí, e de Mogi das Cruzes (Brás Cubas). Fez projetos diretamente no meio urbano, em São Paulo, no Largo São Bento, na Praça Roosevelt, nas estações de metrô São Bento e Santana, e no Elevado Costa e Silva (Minhocão). Em 1970, retomou as questões da arte concreta, com ampla exploração da cor.

Tatiana Rysevas Guerra
[bolsista]
Profa. Dra. Daisy V. M. Peccinini de Alvarado
[coordenadora do projeto]