Referência: CABRAL, Isabella; REZENDE, M. A. Amaral. Hermelindo Fiaminghi. São Paulo: Edusp, 1998. p. 69

Nasc.: Pontal, São Paulo, 1922

“Um quadro não se explica. Um quadro se vê. As palavras não substituem a visão direta da estrutura formal, das relações das cores, dos espaços, da plasticidade. O quadro - organização de elementos semelhantes. E cada um dos elementos é constituído pela interseção de duas retas e uma terceira ligando os dois extremos de maneira que numa parte esteja uma forma fechada (triangular) e na outra uma figura aberta, ou seja, o prolongamento de dois lados do triângulo. Com seis elementos semelhantes relacionados entre si, realiza-se uma estrutura cuja forma total obedece à idéia da forma singular ao mesmo tempo fechada e aberta. Mantém-se íntegra a idéia básica da construção. Neste caso a cor não tem função, o desenho é que importa”, disse Judith Lauand, em 1960 (Projeto Construtivo Brasileiro na Arte: 1950-1962, Aracy Amaral, 1977).

Estudou na Escola de Belas-Artes de Araraquara até 1950. Suas obras neste período são de caráter expressionista. Mudou-se para São Paulo em 1952, onde estuda com Domênico Lazzarini e Lívio Abramo. Em 1953, realizou suas primeiras obras abstratas, ainda com forte teor expressionista. Em 1954, começa a sua fase concreta, em que realiza obras com grande rigor matemático.

Em 1955, é convidada a unir-se ao Grupo Ruptura de arte concreta, sendo até o final a única mulher integrante. Com o grupo, expôs na I Exposição Nacional de Arte Concreta (MAM-SP, 1956; MAM-RJ, 1957), e na mostra Konkrete Kunst (Zurique, 1960).

Incorporou, na década de 1960, novos materiais às suas obras, como clips e alfinetes que, organizados de maneira construtiva, geravam efeitos e ritmos ópticos. Em 1963, expôs novamente ao lado dos concretos paulistas, na mostra de inauguração da Galeria Novas Tendências. “Presença indelével no concretismo, Judith Lauand buscava alguma razão matemática, mas sobretudo também muitas licenças poéticas. Daí podermos dizer que Judith Lauand produziu uma arte de pequenas delicadezas concretistas”, disse Paulo Herkenhoff (Judith Lauand : obras de 1954-1960. São Paulo: Escritório de Arte Sylvio Nery da Fonseca, 1996).

Tatiana Rysevas Guerra
[bolsista]
Profa. Dra. Daisy V. M. Peccinini de Alvarado
[coordenadora do projeto]