Referência: CINTRÃO, Rejane; NASCIMENTO, Ana Paula. Grupo Ruptura. São Paulo: Cosac & Naify, 2002. p. 38

Nasc.: Pecs, Hungria, 1923
Morte: Sesimbra, Portugal, 1989

Kazmer Féjer rompe com a escultura tradicional ao abandonar o conceito de volume. A obra é percebida pela relação entre os cheios e vazios no espaço. Suas construções são marcadas pelos materiais utilizados - acrílicos -, difusores de luz pela sua transparência, e também pela estrutura erguida, que congela a instabilidade dos planos entreabertos e suspensos no ar.

Sua formação começou em Budapeste, onde estudou química industrial, ao mesmo tempo em que cursava a Academia de Belas-Artes. Era um homem, portanto, inserido no universo industrial. Ainda em seu país, integrou a exposição Cinco Jovens Artistas, organizou o Art Club de Budapeste, e participou como secretário da Galeria dos Artistas Abstratos, além de expor em diversas mostras de arte abstrata na Europa, como Salon Realités Nouvelles, em Paris, 1946, Art Club, em Viena, 1947, Art Club, em Turim, 1948. Já nesta época fazia pintura não-figurativa, cada vez mais geométrica, até atingir mais tarde o tridimensional. Após este período, foi para Montevidéu, no Uruguai, onde viveu por um ano e meio, e entrou em contato com o artista construtivo Torres-García.

Por intermédio do Art Club, conheceu Waldemar Cordeiro, que o convidou a expor em São Paulo, em 1949. Os dois tornaram-se amigos e, devido a problemas financeiros, dividiam um apartamento em São Paulo, que também servia de ateliê. Féjer fazia suas experiências com acrílico no fogão da cozinha, lembrou Cordeiro, que tinha medo que apartamento explodisse (Waldemar Cordeiro, Galeria Brito Cimino, 2001).

Em 1951, Féjer expôs na I Bienal de São Paulo. Um mês depois, co-fundou o Grupo Ruptura, de arte concreta, com o qual se reunia regularmente para discutir novas questões artísticas. Expôs com o Grupo em 1952, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, assinando o Manifesto Ruptura. Participou da I Exposição Nacional de Arte Concreta, em São Paulo e no Rio de Janeiro, em 1956/57, e da mostra Konkrete Kunst, em Zurique, em 1960, organizada por Max Bill. Trabalhou também como químico industrial em cerâmica e material plástico. Mudou-se para Paris em 1970, onde trabalhou em indústria de tintas. É detentor de uma patente mundial de um sistema de coloração de plástico. Na década de 1980, transferiu-se para Portugal, onde organizou uma empresa de extração de produtos do mar.

Tatiana Rysevas Guerra
[bolsista]
Profa. Dra. Daisy V. M. Peccinini de Alvarado
[coordenadora do projeto]