WILLYS DE CASTRO
Uberlândia, MG, 1926 - São Paulo, SP, 1988


Questionando a superfície bidimensional de expressão a partir de seus Objetos Ativos (1959), Willys de Castro é um dos mais importantes participantes do movimento neoconcreto. “Tal obra, realizada com o espaço e seu acontecimento, ao penetrar no mundo, perturba-o e, pelo seu surgimento, deflagra uma torrente de fenômenos perceptivos e significantes, cheios de novas revelações, até então, inéditas nesse mesmo espaço” (Willys de Castro. In: Willys de Castro. Campinas: Galeria Aremar, 1960).

Nascido em Minas Gerais, passou a maior parte de sua vida em São Paulo. Transferiu-se para a cidade em 1941, quando iniciou seus estudos de desenho com André Fort. Um dos pioneiros do design gráfico brasileiro, Willys de Castro desde cedo esteve relacionado com o universo industrial, trabalhando como desenhista técnico entre 1944 e 1945 e formando-se Química Industrial em 1948.

Realizou seus primeiros desenhos abstrato-geométricos em 1950, ano em que iniciou estágio em artes gráficas; em 1953, produziu seus primeiros trabalhos concretos. Fundou o Estúdio de Projetos Gráficos em 1954, com Hércules Barsotti, onde atuou até 1964. A cidade industrial, com sua linguagem racional e sua comunicação de massa, é a base das reflexões da arte concreta. Assim, sua atuação como programador visual foi fundamental para sua formação como artista concreto. Suas obras dos anos cinqüenta utilizavam uma simplificação formal e cromática que, por meio da estrutura da composição, criavam vibrações ópticas no olho do espectador.

Fundou e participou do movimento Ars Nova, de 1954 a 1957, produzindo partituras para poemas concretos apresentados no Teatro Brasileiro de Comédia. Participou também como figurinista de peças para o Teatro de Arena e o Teatro Cultura Artística.

Em 1958, viajou à Europa, com Hércules Barsotti, onde conheceu artistas e designers. Ao retornar ao Brasil, retomou sua obra, agora cada vez mais orgânica. Fez seus primeiros Objetos-Ativos em 1959. São retângulos de madeira cobertos por telas e pintados com formas geométricas. São fixados à parede, de modo que a obra parece invadir o espaço. As pinturas completam-se nas diferentes laterais do objeto, fazendo o público se mover para absorvê-las ao todo. O olho procura no espaço a continuação dos traços encontrados ali. Este questionamento dos espaços de expressão convencionais o ligou ao Grupo Neoconcreto, que passou a integrar a partir do mesmo ano. “Os Objetos Ativos de Willys de Castro derivam da mesma vertente inventiva a que pertencem outras obras neoconcretas, especialmente os Relevos de Oiticica e algumas Superfícies Moduladas de Lygia” (Ferreira Gullar. In: Arte Construtiva no Brasil: coleção Adolpho Leirner. São Paulo: DBA, 1998). Willys de Castro e Hércules Barsotti são os únicos artistas plásticos de São Paulo que participaram do grupo carioca, que havia rompido com o movimento concreto paulista, o Grupo Ruptura, em 1959.
Expôs na mostra Konkrete Kunst, organizada por Max Bill, em Zurique, em 1960. Foi um dos fundadores da Associação Brasileira de Desenho Indusrial e da Galeria de Arte Novas Tendências (responsável, junto com Barsotti, por seu logotipo), que reuniu os concretos paulistas, a partir de 1963. Projetou estampas para tecelagem de 1966 a 1967. A partir dos anos setenta faz experiências com o metal e a madeira, e o deslocamento de uma parte da composição, criando os Pluriobjetos. Durante os anos oitenta, continuou suas reflexões em torno da tensão entre o instável e o estável, criando mais Pluriobjetos.

 

Tatiana Rysevas Guerra
(bolsista I.C. - FAPESP)
Profa. Dra. Daisy Peccinini de Alvarado
(orientadora - MAC-USP)