Procurando elaborar uma síntese entre a arte tradicional e a arte moderna, o grupo dos Jovens Pintores de Tradição Francesa se organiza durante a Segunda Guerra Mundial. O nome provocante deriva da exposição de vanguarda “20 Jeunes Peintres de Tradition Française” (20 Jovens Pintores de Tradição Francesa), realizada em 1941, da qual participaram nomes como Jean-René Bazaine, Alfred Manessier, Jean-Louis Le Moal e Gustave Singier.

Sendo a tradição o principal tema de discussão, os jovens pintores criam uma arte de resistência, uma arte patriota. Se o destino da cultura francesa já vinha sendo ponto de reflexão mesmo antes da guerra, com a ocupação de Paris pela Alemanha, esta será uma questão central para as novas gerações de artistas.

Ocupação de Paris

Libertação de Paris

Resgatando a idéia de uma França, “berço da civilização ocidental”, estes artistas vêem a história da arte francesa como história da arte mundial, ressaltando a continuidade que liga cada um dos seus movimentos. Neste sentido, os jovens pintores estabelecem um paralelo entre a mais tradicional arte medieval de uma Europa unida pelo cristianismo e a universalidade das modernas formas do cubismo. Resgatando os laços rompidos pelo renascimento, tentam retomar uma arte primitiva (cujos traços qual encontra nos artistas cubistas) para elaborar algo moderno e não-figurativo. A volta ao passado inclui ainda o retorno à experiências coletivas, tanto com os ateliês comunitários, como com o projeto de deselitização da arte, mas sempre tentando inovar e criar um caráter pioneiro. Os resultados são quase sempre pinturas semelhantes aos vitrais góticos, elaborados com uma formulação cubista, resultado de pesquisas físicas e ópticas.

A maior parte dos artistas deste grupo inspiraram-se em Roger Bissière, com quem estudaram na Academia Ranson. A experiência com o mestre transmitiu-lhes a filosofia essencialista, o espírito da fé católica, o gosto pelas paisagens e pela temática intimista. Na obra de Pablo Picasso, os jovens pintores procuraram a linha expressiva do cubismo, juntando-a ao arabesco decorativo de Henri Matisse. Elaboraram, desta forma, uma revisão dos valores da pintura ocidental, criando uma vanguarda que busca na intimidade do homem e de seu país, um elemento inspirador e afirmador da identidade.

Embora de origens distintas e diferenças fundamentais nas suas concepções artísticas, os Jovens Pintores de Tradição Francesa pertenciam a uma só comunidade, ligada pelos objetivos da “Jovem França”. Organizado por Pierre Schaeffer,o grupo reunia artistas e escritores, numa tentativa de expandir a comunidade artística francesa para um amplo público interno e externo. Assim, é organizada a exposição “20 Jovens Pintores de Tradição Francesa” e, dois anos depois, com o grupo estreitado, a exposição “12 Jovens Pintores de Hoje”. No Brasil, estiveram presentes na exposição de inauguração do MAM (Museu de Arte Moderna), sob a organização do então diretor Léon Degand.

Carolina Amaral de Aguiar
(bolsista IC - FAPESP)
Profª Drª Daisy Peccinini
(responsável pelo projeto)