Organizada durante a ocupação nazista da França, em 1941, a exposição "20 Jovens Pintores de Tradição Francesa" foi uma reação à realidade da guerra e a perda da autonomia nacional. Exaltando a tradição francesa, ao mesmo tempo em que buscava novas linguagens de expressão, o grupo de Jovens Pintores de Tradição Francesa apresentou-se como uma resistência as imposições alemãs, elaborando uma arte patriota.

Com a ocupação dos Países Baixos (ver o texto "CoBrA e a Segunda Guerra Mundial"), Paris se tornou alvo fácil para as tropas nazistas, de maneira que o exército francês pouco pode reagir aos ataques de 1940.Libertação de Paris Embora a capital francesa tivesse sido poupada de maiores danos, a presença dos soldados alemães nas ruas parisienses abalou profundamente o espírito nacional dos cidadãos. O medo de novos ataques fez com que muitos deixassem a cidade, enquanto outros permaneceram em perigo constante. A imagem do Arco do Triunfo com a bandeira alemã hasteada, enquanto os soldados inimigos desfilavam pelas avenidas, foi o símbolo da humilhação e da derrota francesa.

Libertação de Paris

Os artistas, acostumados com a abertura de Paris a novidades, viram na ocupação nazista um impedimento à liberdade de criação.
Este acontecimento seria central durante a guerra e no período que se seguiu a ela, como questão fundamental na construção de uma identidade. O resgate de uma França precursora das artes e da civilização ocidental veio como conseqüência da humilhação pela ocupação da Alemanha e do terror dos anos de guerra. A arte de Jean-René Bazaine, Alfred Manessier, Jean-Loui Le Moal, Gustave Singier, entre outros, foi marcada por este diálogo entre o nacional e o internacional, entre a tradição e a modernidade.
Retorno de prisioneiros a Paris, 1943

Carolina Amaral de Aguiar
(bolsista IC - FAPESP)
Profª Drª Daisy Peccinini
(responsável pelo projeto)