Biografia

Nasc.: Konztanz, Alemanha, 1911

Inspirando-se nas formas da natureza, Stahly transforma suas esculturas em verdadeiras paisagens. O resgate das culturas primitivas e o mergulho na mais inovadora abstração aproximam a obra do escultor à proposta dos Jovens Pintores de Tradição Francesa, em uma tentativa de diálogo entre tradição e modernidade. Principalmente depois da Segunda Guerra Mundial, seu nome se consolida como tradutor dos abstracionismos no ramo da escultura.

Embora nascido na Alemanha, Stahly cresce na Suíça, indo estudar em Paris a partir de 1931. Na capital francesa, freqüenta a Academia Ranson, tendo como mestre Charles Malfray. Neste período, conhece artistas como Alfred Manessier e Jean-Louis Le Moal, com os quais troca experiências e novas idéias que acabam originando o Grupo Témoignage, através do qual procuram investigar a natureza humana. Suas obras, a partir de então, começam a explorar o artesanato, o trabalho de leigos (principalmente crianças e loucos) e a arte de uma Europa primitiva esquecida. Participa de ateliês coletivos, sempre com a intenção de encarar a arte como fruto de uma experiência planejada, mas que precisa ser exercitada mediante a uma troca de caráter subjetivo.

As obras realizadas antes de 1938 foram perdidas durante a II Guerra, no entanto, sabe-se que privilegiavam os materiais orgânicos, principalmente a madeira. Esta tendência é mantida nas esculturas que se têm acesso, já que o grande objetivo de Stahly é colocar a força da natureza em sua produção artística. Assim, trabalha as massas impondo um ritmo orgânico, uma dinâmica que se remete ao palpitar da vida. Por isso, sua obras não são figurativas, embora façam referências à formas humanas e animais, em um contexto de movimento e animação. Em decorrência disto, declara preferência pela exposição em espaços abertos, como os jardins, onde suas esculturas possam integrar-se na paisagem, tornando indissociável desta. Ademais, como o artista teve experiência com a arquitetura, a idéia de uma escultura monumental se acrescenta na integração à natureza, transformando sua obra em verdadeiros lugares de convivência.

Stahly participa de diversos salões e exposições nas décadas de 40 e 50, como o "Salão da Jovem Escultura", "o Salão de Maio" e a "Trienal de Milão". No Brasil, ganha o Prêmio Matarazzo na IV Bienal de São Paulo, em 1957. Vive a experiência de professor, dando aulas nos Estados Unidos, e de escritor, escrevendo e ilustrando um livro sobre si mesmo. Suas inúmeras obras estão espalhadas por toda a Europa e América, consolidando-se, ao lado de Jean Arp e August Rodin, como um dos grandes nomes da escultura moderna do pós-guerra


Carolina Amaral de Aguiar
(bolsista IC - FAPESP)
Profª Drª Daisy Peccinini
(responsável pelo projeto)