Ladainhas da Virgem
1946
Óleo s/ tela, 100.1 x 81.3 cm

Realizada alguns anos depois da exposição “20 Jovens Pintores de Tradição Francesa”, esta obra dialoga com os outros artistas do grupo, ao mesmo tempo que consolida a individualidade criativa de Gustave Singier. A temática religiosa, o abandono gradual da figuração e a escolha das cores são elementos comuns entre o artista e os Jovens Pintores de Tradição Francesa, enquanto que o jogo de linhas e o arranjo cromático explicitam a sua singularidade.

Ladainhas da Virgem é composta de inúmeros traços alongados e cheios, que remetem o olhar do espectador para um sentido vertical e ascendente, propício a abordagem da temática religiosa. Estes traços dividem a obra em zonas de diferentes preenchimentos cromáticos, que fazem com que o resultado final se assemelhe aos vitrais góticos medievais.

A obra se divide ainda em duas grandes zonas, delimitadas pela presença das cores quentes ou frias. Do lado esquerdo da tela, predominam o vermelho e o amarelo, o que causa a impressão de uma iluminação vinda de cima para baixo. Já do lado direito, predomina a sombra, caracterizada pelo azul e seus derivantes. No entanto, os traços coloridos quebram a total bipolarização. Todas estas características da obra, levam à interpretação intimista e espiritual, onde a não-figuração favorece a reflexão aprofundada sobre o tema.

Carolina Amaral de Aguiar
(bolsista IC - FAPESP)
Profª Drª Daisy Peccinini
(responsável pelo projeto)