VER OBRAS
 
Biografia

Nasc.: Paris, 1897
Morte: Paris, 1981

Conselheiro do grupo de Jovens Pintores de Tradição Francesa, Roger Chastel é o ganhador do Grande Prêmio de Pintura da I Bienal de São Paulo, em 1951. Atua no cenário de debate artístico que se estabelece no mundo do pós-Segunda Guerra, especialmente em Paris, transmitindo sua experiência das vanguardas à geração que consolida os abstracionismos e a internacionalização das artes. Sua trajetória vai de encontro com o crescimento da arte abstrata ao decorrer do século XX, primeiramente como jovem talento nos anos 30 e, nos anos 50, como experiente pintor da Escola de Paris.

Ainda quando estudante da Escola de Belas Artes de Paris, é recrutado para a guerra, interrompendo seus estudos precocemente. No entanto, esta experiência acaba por aproxima-lo do cubismo, estilo que marcará toda a sua trajetória, e também do realismo. Quando jovem, trabalha nas academias Julian e Ransom, desenvolve trabalho de desenhista e caricaturista para a imprensa, publica álbum de sátiras com críticas à vida humana. A partir de 1925, encorajado por Paul Guillarume e Jeanne Castel, opta por uma dedicação exclusiva à pintura, realizando importantes exposições no Salão de Outono, nas Tuilleiries e nos Surindependents. O reconhecimento de seu trabalho começa já em 1932, quando é presenteado pelo "Grande Prêmio Nacional de Pintura".

Com a proximidade dos anos 50, desenvolve uma grande personalidade na arte abstrata, o que lhe rende o papel de consultor dos Jovens Pintores de Tradição Francesa. O contato com as vanguardas e a Segunda Guerra Mundial, são fundamentais para que a obra do artista caminhe para o abstracionismo lírico, especialmente para o tachismo. Porém, o aspecto cubista continuaria presente em suas pinturas, com uma maturidade diferente do primeiro momento. Destaca-se pelas suas composições de formas alongadas e de cores ricas, como fica evidente no quadro Namorados no Café, pertencente ao acervo do MAC. A preocupação pelos problemas técnicos e teóricos, aliada à personalidade inquieta e sensível, garante a qualidade e a originalidade de suas obras.

Em 1951, é reconhecido internacionalmente ao conquistar o grande prêmio da I Bienal de São Paulo, embora seu trabalho não seja tão divulgado no Brasil. Um exemplo típico do que viria a ser chamada de Escola de Paris, sua obra concilia a adequação ao movimento amplo de internacionalização e abstração que invadiu as artes no contexto do pós-guerra, com a marca de sua personalidade singular no campo da pintura moderna.

Carolina Amaral de Aguiar
(bolsista IC - FAPESP)
Profª Drª Daisy Peccinini
(responsável pelo projeto)

VER OBRAS