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Biografia

Nasc.: Villeral, França, 1888
Morte: Cahors, França, 1964

Apesar de diferenças estéticas e oposição de estilos, os Jovens Pintores de Tradição Francesa têm em comum a influência de Roger Bissière. Um dos precursores da pintura não-figurativa, que vai predominar na arte do pós-II Guerra, o pintor transmitiu o espírito da fé católica e a paixão pela filosofia essencialista à toda uma geração de artistas. Buscando entender o mundo a partir do interior do homem, sua obra segue cada vez mais para o intimismo, que se reflete na representação abstrata da realidade.

É em Paris, para onde vai em 1910, que Bissière desenvolve seu talento. Em pouco tempo, o artista deixa de lado o jornalismo para se aprofundar na pintura, especialmente de paisagens, circulando entre grandes nomes da arte contemporânea, como André Lhote. No entanto, é com Georges Braque que o pintor estabelece uma longa amizade, que se constrói em torno de uma reflexão da arte, especialmente do cubismo. Abandonando este estilo por considera-lo muito racional, Bissière carrega as influências cubistas em sua trajetória rumo ao abandono da figuração. Se opondo ao movimento da Abstração-Criação (do qual participa o pintor César Domela) cria a Abstração Objetiva, muito menos geométrica e precursora do Abstracionismo Lírico.

Principalmente a partir dos anos 30, o pintor intensifica a experiência da arte como meio de liberdade. Leciona, entre 1925 e 1938, na Academia Ranson, onde transmite suas indagações e sua técnica (principalmente de afrescos) para a geração dos Jovens Pintores de Tradição Francesa, como Alfred Manessier, Jean-Louis Le Moal e Gustave Singier. Embora com uma doença nos olhos, que o obriga a se afastar de Paris por cinco anos em retiro, é no começo dos anos 40 que a presença de Bissière é mais marcante em seus discípulos. Seguindo a lógica de busca à essência ensinada pelo mestre, os novos talentos procuram a ligação entre o glorioso passado francês e a destruição causada pela guerra, encontrando uma síntese reconstrutiva entre tradição e modernidade.

Somente depois de uma operação, por volta do ano de 1945, o pintor volta a produzir. Expõe, um ano depois, na Galeria Drouin, mostrando um estilo ainda mais brilhante e profundo, marcado principalmente pelo reflexo de uma crise interior. Em 1952, ganha o Prêmio Nacional das Artes, concedido pelo governo francês, o que valoriza o preço de suas obras. Abandonando cada vez mais as formas definidas, Bissière rejeita a classificação de suas pinturas como abstratas, preferindo o termo de arte não-figurativa. Morre em 1964, após longo período de enfermidade, sem nunca abandonar a procura pela espontaneidade artística.

Carolina Amaral de Aguiar
(bolsista IC - FAPESP)
Profª Drª Daisy Peccinini
(responsável pelo projeto)

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