FRANZ WEISSMANN – ANÁLISE

Torre, 1957
Ferro, 169,0 x 62,7 x 37,2 cm
Aquisição MAC-USP

Referência: CINTRÃO, Rejane; NASCIMENTO, Ana Paula. Grupo Ruptura. São Paulo: Cosac & Naify, 2002. p. 55

A obra parte de módulos de cubos vazados, que se unem uns aos outros, em ritmos precisos, que parecem brotar do chão, e subir verticalmente em direção ao infinito.

O material, ferro, liga Weissmann ao mundo industrial. De fato, em 1956, o artista havia transferido seu ateliê para uma fábrica de carrocerias de caminhão, onde havia disponível o material que precisava, e onde ficaria perto do ritmo e da racionalidade da indústria. O módulo em repetição lembra as linhas de produção, a simplificação formal lembra a racionalidade moderna. A arte passava por uma mudança estrutural, estava mais próxima à vida cotidiana.

Uma questão central para se entender a ligação dos artistas concretos com a industrialização, era que esta significava nos anos 1950 uma esperança de modernização do Brasil, que mudaria da condição de periferia para a de centro. A arte concreta pensa num homem universal: é simples pois quer ser entendida mundialmente. Daí vem sua noção de democratização. Da simplificação surge uma nova estética, diretamente ligada à arquitetura, à exploração do espaço, dos contrastes entre cheios e vazios.

“O quadrado e sua transposição à terceira dimensão, o cubo, são as formas mais puras, mais equilibradas. Por isso servem de ponto de partida para o desenvolvimento de meus trabalhos. Com eles procurei criar espaços modulados em função do princípio de equilíbrio. (...) O fio é o limite do plano espacial, a concretização da linha, que é bi-dimensional. Por isso, minhas esculturas lineares determinam um espaço virtual, tornando-se como desenho no espaço”, definiu Weissmann sobre suas obras, em depoimento a Frederico Morais, em outubro de 1975.

Tatiana Rysevas Guerra (bolsista FAPESP)
Profa. Dra. Daisy Peccinini (orientadora)