“Minha escultura é uma conseqüência natural de minha necessidade de síntese: dizer com o mínimo de elementos”, disse o artista em outubro de 1975, em depoimento a Frederico Morais.

Weissmann veio ao Brasil em 1924, e iniciou seus estudos em artes e arquitetura em 1939, no Rio de Janeiro, na Escola de Belas Artes. De 1942 a 1944, foi aluno de August Zamoyski e, em 1945, transferiu-se para Belo Horizonte. Neste período, sua escultura era figurativa, apesar de já apresentar uma simplificação geométrica. Em 1948, Guignard o convidou para lecionar em sua escola, que foi a primeira instituição de ensino de arte moderna da cidade. Ali, foi professor de Mary Vieira e de Amílcar de Castro, com o qual, anos mais tarde, se reuniria na formação do grupo neoconcreto.
Em 1951, na I Bienal de São Paulo, conheceu a Unidade Tripartida, de Max Bill, que lhe revelou um novo caminho.

Passou a trabalhar com metal: primeiro pintando-o e, depois, o deixando à mostra, sem alusão à representação do mundo real. Em1953, segundo Ferreira Gullar (1985, p. 261), começou a encontrar seu próprio caminho, “afastando-se da temática das superfícies contínuas e não-orientáveis de Bill”. Passou a se interessar pelo vazio, realizando obras com finas barras de alumínio que se dobravam e exploravam o espaço, sob um ritmo preciso, e sob módulos, gerando “desenhos” em seu interior, por meio dos vazios. Eram estruturas que, apesar de serem feitas de metal, possuíam grande leveza, como Torre, de 1957, do acervo do MAC-USP. Em 1955, uniu-se ao Grupo Frente, no Rio de Janeiro, e expôs em 1956/57 na I Exposição Nacional de Arte Concreta. Em 1956, o artista instalou seu ateliê na Ciferal, uma fábrica de carrocerias de ônibus; esta mudança é significativa, se pensarmos que a arte concreta está diretamente ligada ao universo industrial, com sua organização racional, seu ritmo acelerado, e a crença de que a industrialização significaria um avanço para o Brasil, a possibilidade de alteração da sua condição de periferia para uma condição de centro.

A partir de 1958, o artista se afastou um pouco dos ideais concretos, explorando ritmos descontínuos e lúdicos, e formas mais orgânicas. Era uma crítica à excessiva racionalidade da arte concreta, com reflexões mais interiores e corpóreas, o que o ligou ao Grupo Neoconcreto, do qual foi um dos fundadores, em 1959.

Em 1960 foi à Europa, onde viveu até 1965. Continuou o trabalho com o metal, em uma linguagem cada vez mais informal e orgânica. Em 1969, retomou as experiências construtivistas, e colocou cor às suas obras. Começou a realizar obras públicas participando, em 1971, da Bienal de Escultura ao Ar Livre da Antuérpia. Se suas obras concretas e neoconcretas são tentativas de união entre arte e vida, suas obras públicas, a partir desta década, são um aprofundamento desta questão, instalando-se diretamente no cotidiano da cidade contemporânea, em escalas monumentais.

Tatiana Rysevas Guerra
(bolsista FAPESP)
Profa. Dra. Daisy Peccinini
(orientadora)

FRANZ WEISSMANN
Knittelfeld, Áustria, 1911
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