“O que existe é uma necessidade de acordo com minha vivência. Trabalho todos os dias. Se tenho necessidade de fazer desenho, eu faço, se for objeto, eu faço.” (depoimento de Serpa em 1971, In: Retrospectiva Ivan Serpa. Rio de Janeiro: MAM-RJ, 1974)


Serpa sempre esteve situado com seu tempo, incorporando e experimentando uma série de tendências, como arte concreta, abstracionismo informal e a volta à figuração, agora de caráter expressionista. Nos últimos anos de vida, retomou as questões construtivas de natureza óptica.
Inicialmente figurativo, influenciado pela Escola de Paris, começou a pintar em 1946, quando estudou com Axel Leskoschek. Mais tarde, estudou ainda com Fayga Ostrower e Almir Mavignier. Passou a se interessar pela abstração a partir de 1947. Os críticos o consideram um mestre no desenho e na estrutura, que o levaram a buscar a linguagem concreta, concentrando-se nas formas e movimentos, influenciado por Max Bill, sendo um dos primeiros brasileiros a trabalhar com arte abstrata geométrica. Sua obra Formas foi exposta na I Bienal Internacional de São Paulo, em 1951, e Serpa premiado como melhor artista jovem.

Trabalhou na Biblioteca Nacional por 14 anos, no restauro de livros. Em 1952 tornou-se professor do curso infantil de artes e do ateliê livre de pintura para adultos do MAM-RJ, tarefa realizada durante quase vinte anos. Sua obra tem grande ligação com seu trabalho como professor; nas aulas procurava liberar a criatividade dos alunos, tarefa que impunha para si mesmo.

Fundou o Grupo Frente em 1954, concentrando artistas concretos, em sua maioria, mas que possuía uma postura de abertura, o que possibilitou a entrada de Elisa Martins da Silveira, pintora naïf, e Carlos Val, aluno de Serpa no curso de arte infantil. Em 1955, realizou trabalhos de delicadas colagens, como Construção no 78, e Construção no 87, ambas do acervo do MAC-USP. Em 1957, obteve o prêmio Viagem no IV Salão Nacional de Arte Moderna, permanecendo na Europa entre 1958-59.

A partir de 1960 seu trabalho abandonou as questões concretas. Em 1961, realizou obras de caráter abstrato informal, como Pintura 113. Passou então a trabalhar temas ilusórios, dedicando-se na sensibilidade e expressão trágicas. Esta ficou conhecida como fase negra, da qual pertence a obra Figura, de 1964, além de uma série de desenhos com esferográfica, de 1963, chamada Mulheres e Bichos, obras do acervo do MAC-USP. A partir de 1965, pesquisou novos suportes, como ripas de madeira, sobre as quais trabalhava pinturas ópticas. Em 1969, realizou desenhos de ambiência erótica e utilizou móveis de uso cotidiano como base de seus trabalhos. Em 1970 foi um dos fundadores do Centro de Pesquisas em Arte, no Rio, onde lecionou.

Em 1974, Roberto Pontual definia Serpa com uma “natureza irreversivelmente experimentadora, para a qual nenhum caminho estava vedado, somando à prática dos recursos tradicionais da pintura, do desenho e da gravura a curiosidade pela invenção com as novas propostas e materiais especificamente contemporâneos”.

Tatiana Rysevas Guerra
(bolsista FAPESP)
Profa. Dra. Daisy Peccinini
(orientadora)

IVAN SERPA
Rio de Janeiro, 1923

Rio de Janeiro, 1973

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