Arte cinética, tecnologia, invenção e experimentalismo: estas palavras não definem por completo o artista, mas podem ajudar-nos a compreendê-lo. Homem urbano e industrial, foi o engenheiro das artes plásticas nos anos cinqüenta, o que o ligou às reflexões em torno da arte concreta.

Nascido em Natal, filhos de imigrantes russos judeus, transferiu-se ainda jovem para Israel, em Tel-Aviv, em 1932, onde se especializou em motores de explosão. De 1943 a 1947 estudou pintura e história da arte no ateliê de Aron Avni, escultura com Sternshus, estética com Shor, e pintura, desenho e história da arte no Instituto Municipal de arte de Tel Aviv. Produziu neste período pinturas de paisagens, retratos e naturezas-mortas. Voltou ao Brasil em 1948, ano em que o crítico Mário Pedrosa escrevia sua tese sobre a teoria da gestalt. Palatnik, assim como Ivan Serpa e Almir Mavignier, reuniu-se à Pedrosa em suas pesquisas por uma nova arte. Ao mesmo tempo, estudava arte concreta, e freqüentava o Engenho de Dentro, onde a Dra. Nise da Silveira fazia da arte uma experiência terapêutica com pacientes manicomiais. "O impacto das visitas ao Engenho de Dentro e as conversações com Mário Pedrosa demoliram minhas convicções em relação à arte", declarou Palatnik (In: MORAIS, Frederico; Itaú Cultural; 1999).Destas duas experiências surgiriam algumas pinturas concretas e suas pesquisas com luzes e movimento que culminariam nos seus aparelhos cinecromáticos.

Por um lado, os aparelhos possuem uma reflexão diretamente ligada à arte concreta, como a relação com a sociedade industrial - os motores de explosão -, e à criação de uma quarta dimensão na obra de arte, sem precisar relacioná-la com a representação do mundo real, que é o tempo (que surge aqui como movimento). Por outro, a obra não perde o componente lúdico dado pelo uso das cores, quebrando com a rigidez concreta. Seu primeiro Aparelho Cinecromático foi exposto na I Bienal de São Paulo, em 1951, obtendo menção especial do júri internacional, apesar de ter sido inicialmente recusado pelo júri nacional, por não se enquadrar em nenhuma categoria regulamentada. O artista foi um dos pioneiros no mundo a trabalhar com arte cinética.

As reuniões com Pedrosa, Serpa e Mavignier geraram o grupo que ficou chamado como Frente, o qual fundou e atuou de 1954 a 1956. Trabalhou também diretamente no universo industrial, como projetista e desenhista de produção. É inventor de máquinas e jogos de percepção, a partir dos anos sessenta. “Para inventar alguma coisa é preciso possuir um comportamento anticonvencional. Eu acho que as indústrias deveriam convocar artistas plásticos porque eles possuem um potencial perceptivo que pode resolver muitos problemas”, falou o artista (In: MORAIS, Frederico; Itaú Cultural; 1999).

Em 1964, realizou seus Objetos Cinéticos. Eram formas coloridas que se moviam por motores, eletroímãs e fios de metal (que ficavam expostos: a máquina era para ser vista em funcionamento). Era como um móbile de Calder, só que movido a motor e com movimentos regulares e planejados. Produziu ainda os Relevos Progressivos, em que utilizou os relevos e sulcos naturais da madeira, em superfícies bidimensionais, sob composição serial, de modo a criar ritmos, continuando assim suas pesquisas no campo do cinetismo visual.

Tatiana Rysevas Guerra
(bolsista FAPESP)
Profa. Dra. Daisy Peccinini
(orientadora)

ABRAHAM PALATNIK
Natal - RN, 1928
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