Em dezembro de 1956, no MAM-SP, e fevereiro de 1957, no Ministério da Educação e da Cultura no Rio de Janeiro, os grupos concretos Ruptura, de São Paulo, e Frente, carioca, expuseram juntos, na I Exposição Nacional de Arte Concreta. Nesta mostra, ficaram nítidas as semelhanças e diferenças entre os dois grupos.
Por um lado, ambos revolucionaram o ambiente cultural brasileiro ao estreitarem a ligação entre arte e vida.

Vinham de uma mesma raiz construtivista que acreditava no progresso industrial - de onde vem uma mudança estrutural em relação à arte, que possui agora uma função direta na organização da vida moderna, e não mais uma atitude contemplativa e mistificadora.

Por outro lado, essa ligação era feita de diferentes modos pelos dois grupos. Os paulistas do Ruptura acreditavam poder democratizar a arte por meio das ferramentas do novo mundo urbano e industrial, que se definia no Brasil na década de 1950. Para eles, mundo industrial e desenvolvimento cultural e democrático caminhavam juntos e, assim, utilizavam elementos deste mundo em sua arte: a linguagem direta da comunicação de massa, possibilitada pelo estudo da gestalt visual; o estudo de conceitos da arquitetura moderna como medida para mesclar a arte ao ambiente urbano; o uso do projeto, do cálculo. A dessacralização da arte estava ligada à dessacralização do artista: era agora um artista-operário-arquiteto, que projetava suas obras. Já os cariocas do Frente se preocupavam com a questão do corpo humano, abandonado neste mundo industrial, e o re-inserem em suas obras, trabalhando a percepção, segundo a fenomenologia de Maurice Merleau-Ponty. Destas reflexões surgiram obras que só se completavam com a participação direta do espectador, abrindo novos caminhos para as artes. Destas reflexões surge, em 1959, no Rio de Janeiro, o Grupo Neoconcreto.

Tatiana Rysevas Guerra
[bolsista IC - FAPESP]
Profa. Dra Daisy Peccinini
[orientadora - MAC-USP]

Home Mapeamento: Módulo II
I EXPOSIÇÃO NACIONAL
DE
ARTE CONCRETA
Rio de Janeiro, 1954-1956