Durante a Segunda Guerra Mundial, a Holanda, a Bélgica e a Dinamarca passaram, grande parte do tempo, ocupadas pela Alemanha Nazista. Comandadas por Hitler, as tropas alemãs foram presença constante nas ruas destes países, impondo restrições e abalando a liberdade nacional. Para os artistas, muitos dos quais viriam a integrar o Grupo CoBrA, as imposições e a impossibilidade de estabelecer contato com o mundo exterior, marcariam sua carreira, do ponto de vista formal e ideológico.

A invasão dos nazistas causou enorme destruição na Holanda, arruinando uma de suas principais cidades, Roterdã. Depois de cinco anos de ocupação, o país ficou profundamente abalado e seus habitantes humilhados com a repressão. Como somente as rádios alemãs podiam ser ouvidas e com os navios estrangeiros presos nos portos, a população ficou isolada em relação ao resto da Europa. Para os artistas, as medidas nazistas foram ainda mais rigorosas. Além do isolamento, que impedia a troca cultural com outras cidades (principalmente com Paris), o controle sobre a produção era grande. A vida cultural ficou praticamente interrompida, com o estabelecimento de uma "autoridade", intitulada "Kulturkammer", que decidia as atividades culturais permitidas.

No caso da Dinamarca, as tropas alemãs tomaram o país com relativa facilidade, o que estabeleceu um pacto de cooperação entre os dois governos. No entanto, as restrições também foram significativas, principalmente depois que Hitler invadiu a União Soviética, em 1941. O Partido Comunista Dinamarquês, constituído por muitos artistas, passou à clandestinidade, incentivando um movimento de resistência que envolvia grande parte da população. A partir de 1942, uma publicação clandestina denominada "Dinamarca Livre" circulou pelo país, incentivando a oposição ao nazismo. Com a ajuda da Inglaterra, o movimento começou a se armar, o que intensificou o controle alemão, de forma que o pacto de cooperação deixou de existir na prática.

A Bélgica, invadida como um ponto estratégico para a tomada da França, foi surpreendida com a força do exército alemão, não oferecendo grandes obstáculos à ocupação. A vantagem do país em relação a Holanda e a Dinamarca estava na sua posição geográfica que, pelo menos nos primeiros anos da guerra, permitiu o contato com Paris. Os artistas belgas, antes da intensificação das restrições nazistas, tiveram acesso aos movimentos artísticos franceses, o que diminuiu o isolamento destes anos.

Conforme diminuía a liberdade nestes países, a população desenvolvia formas de resistência, principalmente através do resgate das tradições nacionais, como, por exemplo, o uso de um suéter tricotado, na Holanda, típico no vestuário dos antepassados. Nas artes, a busca pela arte primitiva e a tentativa de encontrar a origem da criatividade humana, que marcariam o Grupo Experimental Holandês, a Jovem Pintura Belga, o Grupo Experimental Dinamarquês e o Grupo CoBrA, tornaram-se cada vez mais freqüentes.

Com a derrota alemã e a recuperação da autonomia, o resgate das tradições foi ainda maior, como modo de recuperar o prestígio perdido com a submissão à Alemanha. A identidade cultural da Holanda, da Bélgica e da Dinamarca foi, assim como as cidades abaladas, reconstruída. No entanto, com uma realidade diversa da presente antes da ocupação, a tradição sofreu uma releitura. Assim, os artistas fizeram dos elementos implícitos na cultura de seus países, algo moderno e inovador. Com a abertura do pós-guerra, buscaram novidades e influências, principalmente na Escola de Paris, no cubismo e no grupo de Jovens Pintores de Tradição Francesa.
 
 
     
 
Home Page do Grupo CoBra