Artista que contribuiu para a introdução da arte abstrata na Dinamarca, Richard Mortensen se antecipa ao fenômeno dos abstracionismos dos anos 50. Percorrendo vários grupos e movimentos, de alcance local e internacional, assimila desde cedo as idéias de Kandinsky, Klee, Miro e Picasso, realizando uma síntese própria e original.

No início dos anos 30 estuda na Academia Real, em Copenhague, com os mestres Sigurd Wandel e Aksel Jorgensen. Durante uma viagem à Berlim, Mortensen entra em contato com a arte abstrata. Sua primeira tela neste estilo data de 1933 e apresenta-se como uma das pioneiras entre os dinamarqueses. No ano seguinte, o artista funda o grupo "Linien" ("Linhas"), formado por uma associação de artistas dinamarqueses, definindo sua tendência em relação ao Abstracionismo Geométrico. No entanto, demonstra um caráter sensitivo e espontâneo, o que facilita sua aproximação com artistas líricos e, posteriormente, sua participação no Grupo CoBrA. Membro de caráter singular deste Grupo, entre 1948 e 1951, dialoga com a cultura de seu país, resgatando as raízes da cultura nórdica, mas segundo uma perspectiva de internacionalização.

Em Paris, onde se instala a partir de 1947, Mortensen atinge sua maturidade e o reconhecimento artístico. Oscilando entre a espontaneidade e uma estrutura bem planejada, encontra na influência francesa um terreno fértil para o equilíbrio entre estes dois elementos. Participa de mostras com artistas da abstração geométrica, inclusive freqüentando o grupo da Galeria Denise-René, vindo a ser considerado membro da Escola de Paris. A geometrização cada vez mais marcante em seu trabalho é nítida nas obras dos aos anos 50; acompanhada sempre por um intenso conflito expresso em tensas composições. Sua originalidade lhe rendeu, entre outros eventos renomados, uma mostra individual no pavilhão dinamarquês da Bienal de Veneza, em 1960.

A obra de Mortensen reflete seu temperamento inquieto, onde otimismo se combina com depressão; onde a vontade de construir se depara com um instinto destrutivo. A forma bem planejada é palco para a expressão de um conflito interior, resultando em um ritmo formado pelo conjunto de formas e cores, dispostas no espaço. O intelecto e a criatividade pessoal se combinam com o contexto de abstração e internacionalização das artes, típico do pós-guerra.
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