Fundador do Grupo Experimental e co-fundador do Grupo CoBrA, Karel Appel desenvolve uma arte livre, que se opõe à repressão dos anos da Segunda Guerra Mundial. Suas pinturas, esculturas e gravuras são resultado da experimentação de novas técnicas, nas quais predominam a espontaneidade e o imediatismo do processo de criação; uma oposição ao excesso de teoria e de métodos presentes na arte européia da época. Principalmente no decorrer dos anos 50, o artista aparece como um dos grandes inovadores no contexto dos abstracionismos e da internacionalização das artes.

Estudante da Academia de Belas Artes de Amsterdã entre 1940 e 1943, período no qual a Holanda está sob ocupação da Alemanha nazista, Appel sofre o desconforto da Guerra e da falta de liberdade artística. Seu país passa por uma crescente industrialização, perdendo muito de sua identidade cultural, o que faz com que o artista tente recuperar os elementos tradicionais, principalmente da cultura primitiva bárbara. Nos últimos anos da guerra, Appel e outros pintores holandeses viajam pelo país vendendo telas e conhecendo suas raízes, desenvolvendo uma arte com euforia experimental.

A inspiração do artista vem das mais diversas experiências. Buscando "objetos-lixo" ou se aprofundando no descontraído mundo infantil, Appel mergulha na espontaneidade, abandona a distinção entre o belo e o feio e se utiliza de cores berrantes. Em uma afinidade com Pablo Picasso, abusa das formas primitivas; em uma afinidade com Henri Matisse, desenvolve a violência das cores no espaço. Muitas vezes, abandona o pincel para utilizar a bisnaga da tinta ou os próprios dedos, eliminando contornos e produzindo uma espécie de mosaico. Declara ódio à Piet Mondrian e Wassily Kandiski, que fazem uma arte abstrata não espontânea ou imediatista.

Neste espírito de inovação, participa da fundação do Grupo Experimental, em 1948, unindo-o com o Grupo CoBrA no mesmo ano. O diálogo com outros pintores, principalmente com Constant e Asgar Jorn, incentivou sua produção artística, mas nem sempre foi um diálogo harmônico. Criticado pelo individualismo excessivo e pelas atitudes autoritárias, se afasta do grupo depois de um tempo, fixando-se em Paris na década de 50. Inicia, então, um período onde sua obra retoma um expressionismo de origem vagoghiana, consolidando seu nome entre os grandes da pintura não-figurativa. No Brasil, participa da II Bienal de São Paulo, em 1953, e ganha o Prêmio Internacional de Pintura na V Bienal de São Paulo, em 1959.
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