Imagens usadas na colagem, da esquerda para direita: "Chegada de Muratori", Cícero Dias, 1927; "Auto-Retrato", sd, Ismael Nery; "Sem título (cabeça de Cristo)", 1925, Antônio Gomide; ilustração de Di Cavalcanti para livro "Fantoches da meia-noite", de Monteiro Lobato; "A Negra", 1923, de Tarsila do Amaral; "Portadora de Perfume", de Brecheret; estudo de poltrona, de John Graz

 
Cenário da Semana de 22, local onde se apresentaram entre os dias 11 e 18 de fevereiro os espetáculos do festival literário e musical, no seu auditório, e uma exposição de artes plásticas ocupava o saguão.

Considerado um teatro novo, inaugurado em 1911, o edifício era condizente com a imagem de progresso da cidade, respondia ao clima de auto-afirmação e de otimismo progressista desde a última década do século XIX e início do século XX, conseqüentes ao impressionante aumento populacional e à expansão urbana. O Teatro Municipal materializava os ideais positivistas na medida em que se materializava como um templo da arte, educando a sensibilidade e a inteligência do povo, que por ali passava , com sua arquitetura eclética e na freqüência de seus espetáculos. Esta preocupação de educar e melhorar o gosto do público se prendia ao contexto mais amplo de pensamento da época de que o progresso econômico observado em São Paulo merecia uma resposta cultural à altura. E esta resposta cultural se concretizava materialmente na casa de espetáculos de cultura. A autoria principal do projeto foi de Ramos de Azevedo , engenheiro - diretor da construção que deu ênfase à monumentalidade do edifício de proporções majestosas, decorrentes de seus estudos na Bélgica onde pode aprender o gigantismo da arquitetura eclética belga. Ao nome de Ramos de Azevedo se soma a atuação de Domiciano Rossi, professor de Desenho da Escola Politécnica da e Desenho Geométrico e de Cor no Liceu de Artes e Ofícios. Associado ao escritório de Ramos de Azevedo era grande entusiasta e difusor do neo-barroco e sua colaboração se manifestou nos elementos do barroco italiano, estilo preponderante no eclético edifício do teatro. Ainda contou com a colaboração do cenógrafo Cláudio Rossi outro italiano, com as mesmas diretrizes barrocas.Importante destacar que para a realização da Semana de Arte Moderna foi alugado por um membro da elite paulista , Paulo Prado, justamente o edifício- ícone do gosto da belle époque , do decorativismo, da mistura de estilos do passado, que o modernismo vinha derrubar, mas de toda maneira era o Teatro Municipal, o monumento testemunha concreta do progresso da capital paulista e um importante pólo dinâmico de cultura no meio urbano da época. 

D. P. A.

Anita Malfatti
Di Cavalcanti 
John Graz
Vicente Rego Monteiro
Victor Brecheret 
Zima Aíta 
Ferrignac
Martins Ribeiro
W. Haerberg
João Fernando de Almeida Prado
O. Goeldi 
H. Leão Veloso
A. Paim Vieira


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