Imagens usadas na colagem, da esquerda para direita: "Chegada de Muratori", Cícero Dias, 1927; "Auto-Retrato", sd, Ismael Nery; "Sem título (cabeça de Cristo)", 1925, Antônio Gomide; ilustração de Di Cavalcanti para livro "Fantoches da meia-noite", de Monteiro Lobato; "A Negra", 1923, de Tarsila do Amaral; "Portadora de Perfume", de Brecheret; estudo de poltrona, de John Graz
 


 
Capivari, SP, 1886 - São Paulo, SP, 1973
Uma das primeiras artistas brasileiras a adotar tendências modernistas em seu trabalho, Tarsila, ainda que não tenha participado efetivamente da Semana de Arte Moderna de São Paulo, foi responsável pela criação de uma nova linguagem para a pintura brasileira. Segundo Mário de Andrade, podemos afirmar que, da história da nossa pintura, Tarsila foi a primeira que conseguiu realizar uma obra de realidade nacional, já que é a inspiração de seus trabalho que versa temas nacionais.

Filha de fazendeiro rico, no auge da aristocracia rural paulista, Tarsila, seguindo os costumes da época, recebeu uma educação reservada à classe alta - professores em casa, na infância, passada no meio rural, depois em escolas de freiras na Espanha, onde recebeu como parte da educação feminina aulas de música e de desenho.
Por ter revelado, desde menina, talento e aptidão para o desenho, decide, após o término de seu primeiro e breve casamento, ir para São Paulo, no ano de 1917, estudar pintura com o acadêmico Pedro Alexandrino, e com o alemão Georg F. Elpons. Com o objetivo de dar continuidade a sua formação vai para Paris estudar na Academia Julian, em 1921 e 1922. 

De volta a São Paulo, logo após os eventos da Semana de 22, ao ser apresentada, por Anita Malfatti, aos modernistas paulistas: Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Menotti del Picchia, Tarsila passa a integrar, de imediato, o então 'Grupo dos 5'; e que se dissolveria logo a seguir, com a ida de Tarsila e Oswald de Andrade, a Paris, no ano de 1923. Quando, Tarsila, já convertida aos ideais dos modernistas - atualização da linguagem plástica e pesquisa das raízes nacionais -, passaria a frequentar os ateliês dos grandes mestres cubistas, André Lhote, Albert Gleizes e Fernand Léger
Percebendo que a vertente nativista era muito bem-vinda naquele momento, Tarsila - que neste mesmo ano de 1923 escrevia a Mário de Andrade, expressando-lhe seu desejo de ser a pintora de sua terra - , buscou disciplinadamente instrumentar-se com os procedimentos compositivos do cubismo; mas, não de um cubismo epigonal, senão um cubismo saboroso, deglutido e devolvido em termos pictóricos brasileiros.

No anseio da projeção do nacional, a artista redescobriria em adulta a paisagem dos seus olhos de criança, na viagem que realiza, em 1924, para as cidades históricas do ciclo do ouro de Minas Gerais e para o Rio de Janeiro, com alguns modernistas e com o poeta Blaise Cendrars. Aliás, esta devoção pela paisagem de sua infância, fruto de sua intimidade com a natureza fantástica, revela-se tanto em sua fase Pau-Brasil (1924), com na Antropofágica (1928).

Ana Claudia Salvato Pelegrini
(bolsista IC / CNPq)
Profª Drª Daisy Peccinini
(responsável pelo projeto)



Oswald de Andrade e Tarsila, em foto do arquivo Mário de Andrade, IEB-USP.


Auto-retrato, 1923, Museu de Belas Artes, RJ.


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