Imagens usadas na colagem, da esquerda para direita: "Chegada de Muratori", Cícero Dias, 1927; "Auto-Retrato", sd, Ismael Nery; "Sem título (cabeça de Cristo)", 1925, Antônio Gomide; ilustração de Di Cavalcanti para livro "Fantoches da meia-noite", de Monteiro Lobato; "A Negra", 1923, de Tarsila do Amaral; "Portadora de Perfume", de Brecheret; estudo de poltrona, de John Graz
 


 
Auto-Retrato, sd 
crayon s/ papel, 22,7 x 17 cm
 

Esta obra de Ismael Nery é representativa de sua peculiar fase expressionista-cubista, onde os traços bem marcados revelam as angústias do retratado. Esta fase de Nery é a mais extensa e também a mais significativa, demonstrando sua busca por valores universais na arte e a recusa da temática modernista de identidade cultural. 

Neste desenho o grande tema é o ser humano, como de resto em toda a sua produção; observa-se a justaposição dos traços de sua mulher, Adalgisa - em especial o seu nariz adunco - e do rosto do artista. Esta abordagem de síntese e universalidade do auto-retrato é coerente com seu sistema místico-filosófico-religioso, o essencialismo, por tentar apreender a essência dos seres e não somente a aparência do retratado, buscando apenas elementos essenciais para esta expressão, cujo resultado é profundo e perturbador. 

C.A.G.


Figura, c. 1927/1928 
óleo s/ tela, 105 x 69,2 cm 

Esta obra de Nery, única pintura sua do acervo do MAC, traz a síntese de sua fase cubista-expressionista. Os elementos cubistas estão presentes, em especial nos rostos da Figura, ocupando planos que se desdobram da frontalidade ao perfil, mas a sua formalidade geométrica é quebrada não só pelas cores expressionistas - cores fortes e contrastantes, como pelas linhas que descrevem até com crueza o corpo. Presente em outras obras suas de fases distintas, a temática do eu ( artista ) e do outro ( sua mulher, Adalgisa ) fica aqui marcada pela unidade/ dualidade do ser, tradução de suas preocupações filosóficas relativas à crença na essência única do universo - o essencialismo. 

C.A.G.


Figura Surrealista com personagem masculino deitado , sd 
nanquim e grafite s/ papel, 21,7 x 16,2 cm 

Considerado como o pioneiro do surrealismo no Brasil, Ismael Nery ao seguir esta linha de trabalho na qual pinta as aflições de uma doença que o vitimaria, desenvolve uma obra singular. Este desenho registra a dissecação de vísceras, visíveis por meio de cortes profundos, revelando a obsessão pelo humano que guiou Nery até na hora de traduzir sua consciência da proximidade da morte. Em outros desenhos desta fase, as vísceras transformam-se em encanamentos hidráulicos e os corpos tornam-se cada vez mais deformados, sem no entanto perder o vínculo com o corpo humano. 

C.A.G.


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