Imagens usadas na colagem, da esquerda para direita: "Chegada de Muratori", Cícero Dias, 1927; "Auto-Retrato", sd, Ismael Nery; "Sem título (cabeça de Cristo)", 1925, Antônio Gomide; ilustração de Di Cavalcanti para livro "Fantoches da meia-noite", de Monteiro Lobato; "A Negra", 1923, de Tarsila do Amaral; "Portadora de Perfume", de Brecheret; estudo de poltrona, de John Graz
 


 
O Boto, 1921 
Aquarela e Nanquim s/ papel 

35,4 x 26 cm 

O Boto, lendária figura que em noites de lua cheia se transforma em um belo jovem que seduz as donzelas à beira do rio, recebe nesta aquarela um tratamento cenográfico e barroco. A lua, grande círculo ao fundo, parece uma auréola amarelada e irradiante, destacando a figura do índio - o Boto -que segura a jovem seduzida num gesto elegante, como o de um bailarino, que ergue sua parceira no pas de deux. 

Estes ecos de bailado são compreensíveis pela freqüência a espetáculos de dança, acompanhando os bailados russos e suecos, a partir de 1913. A elegância dessa cena é ratificada pelo uso de linhas finas e o caráter esguio dos corpos. 

D. P. A.


Mani Oca/ O Nascimento de Mani, 1921 
Aquarela e nanquim s/ papel 

28 x 36,5 cm 

Esta aquarela faz parte de uma nova série, inspirada no acervo indígena da Quinta da Boa Vista, que fez parte da segunda exposição de Vicente no Rio de Janeiro, em 1921 - dando continuidade às suas pesquisas acerca das lendas indígenas brasileiras, que renderam uma série sobre seus mitos e rituais. Foram estas obras que impressionaram tanto seus colegas de Paris, que acreditavam ser este o caminho para qualquer artista brasileiro, como os intelectuais que participariam da Semana de 22, que viram em Vicente um antecipador daquilo que pregavam para a nova arte brasileira: uma temática nacional.

Através de sua técnica preferida, a aquarela, o pintor transformava a influência sofrida em Paris, em especial por Gauguin, em uma obra inovadora e nacional, bem ao gosto dos primeiros modernistas. O alongamento dos corpos, seu caráter esguio, pouco tem a ver com o biotipo dos nossos índios, lembrando antes o Extremo Oriente. O rigor da composição nos primeiros planos e a perspectiva aérea no fundo tem ecos da pintura religiosa do Renascimento. 

D. P. A.


Retrato de Joaquim Rego Monteiro, 1920 
óleo s/ tela, 42,5 x 32 cm 

O retrato de seu irmão, também pintor, apresenta traços do expressionismo do começo de sua carreira, presente em vários retratos desta época: uso de cores fortes no tratamento do rosto e da paisagem. Estas características contrastam com a geometrizção estilizada, à maneira de Modigliani, o que se pode observar no formato ovóide da cabeça e no alongamento cilíndrico do pescoço. 

D.P.A.


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