Imagens usadas na colagem, da esquerda para direita: "Chegada de Muratori", Cícero Dias, 1927; "Auto-Retrato", sd, Ismael Nery; "Sem título (cabeça de Cristo)", 1925, Antônio Gomide; ilustração de Di Cavalcanti para livro "Fantoches da meia-noite", de Monteiro Lobato; "A Negra", 1923, de Tarsila do Amaral; "Portadora de Perfume", de Brecheret; estudo de poltrona, de John Graz
 


 
São Paulo, SP, 1889 - São Paulo, SP, 1964
Vicente do Rego Monteiro é um precursor dos ideais da Semana de 22 propostos por Mário de Andrade - desde 1920 sua pintura tem linguagem contemporânea, além de elementos resultantes da pesquisa da temática indígena brasileira. Seus quadros utilizam imagens mitológicas, de conteúdo mágico ou sagrado, que misturam-se com tradições da arte pernambucana, barroca, marajoara, além de apresentarem forte influência do cubismo da Escola de Paris.

Nascido no Recife, aos 9 anos vai para o Rio de Janeiro, onde, incentivado pela mãe e por seus irmãos, todos com inclinações artísticas - José, arquiteto, Débora, escritora e Fédora e Joaquim, pintores - passa a frequentar a Escola Nacional de Belas Artes. Em 1911, toda a família vai a Paris, onde Vicente frequenta as academias Julian, Colarossi e Grande Chaumiére, e passa a sentir a influência das vanguardas sobre a sua obra, através do contato com Modigliani, Léger, Braque, Miró, Gleizes e Metzinger, entre outros. Em 13 expõe pela primeira vez no Salon des Indépendants e, no ano seguinte, em virtude da guerra, retorna ao Brasil.

Neste período, trabalha intensamente como escultor, realizando diversos bustos, sem deixar de lado o desenho e a aquarela - responsáveis, na exposição de 1920, pelo seu contato com Anita Malfatti, Brecheret, Di Cavalcanti, impressionados com sua temática inspirada nas lendas amazônicas.




Foto de Rego Monteiro extraída do livro Vicente do Rego Monteiro, artista e poeta, 1899-1970, de Walter Zanini, p. 24

Rego Monteiro em sua exposição no Teatro Trianon, Rio de Janeiro, 1921, foto do livro Vicente do Rego Monteiro, artista e poeta, 1899-1970, de Walter Zanini, p. 86 

Em 21, retorna a Paris, deixando dez obras para serem expostas na Semana de Arte Moderna, no ano seguinte. Durante sua estada na Europa, impressiona-se com as coleções de arte egípcia, assíria e renascentistas e com os expressionistas na Alemanha. Neste período, em que era considerado o pintor estrangeiro mais prestigiado na capital francesa, são publicados diversos livros com ilustrações suas, entre eles Lendas, Crenças e Talismãs dos Índios da Amazônia, e Vicente produz e expõe intensamente. Em 30, recusa o convite de Oswald de Andrade para participar do movimento antropofágico alegando ser um predecessor das tendências nativistas no Brasil. Neste mesmo ano, é um dos responsáveis pela exposição A Escola de Paris, que passou por Recife, Rio e São Paulo e mostrou pela primeira vez obras de Picasso, Lhote, Léger, entre outros, ao público brasileiro. No ano seguinte, retorna ao Brasil e, em 38, assume o cargo de diretor da Imprensa Oficial do Estado e de professor de desenho no Ginásio Pernambucana, onde permanece até 46. De ideais monarquistas e nacionalistas, colabora com revistas seguidoras destas tendências, até fundar Renovação, onde ameniza sua posição política em pró da abertura a novos artistas, como João Cabral de Melo Neto.

Em 46 retorna a Paris, onde funda a editora La Presse à Bras, passando a dedicar-se quase que exclusivamente à poesia. Ao retornar ao Brasil, em 57, é contratado pela Escola de Belas Artes da Universidade de Pernambuco. Apesar do descaso que merecem suas poesias no ambiente brasileiro, em 60 recebe o Prêmio Gillaume Apollinaire, em Paris. Neste período realiza pinturas de tendências abstrato-informal, mas sempre retornando à temática regionalista dos anos 20.

Artista múltiplo, Vicente do Rego Monteiro foi na prática um dos precursores do Modernismo Brasileiro, dando atenção aos temas nacionais sem seguir prerrogativas e sim seu próprio instinto. Foi responsável pela divulgação dos ideais das Vanguardas no Brasil, no setido em que pode colocar muitos artistas que não tinham condições de ir a Europa em contato com as obras dos grandes artistas da época.


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