Imagens usadas na colagem, da esquerda para direita: "Chegada de Muratori", Cícero Dias, 1927; "Auto-Retrato", sd, Ismael Nery; "Sem título (cabeça de Cristo)", 1925, Antônio Gomide; ilustração de Di Cavalcanti para livro "Fantoches da meia-noite", de Monteiro Lobato; "A Negra", 1923, de Tarsila do Amaral; "Portadora de Perfume", de Brecheret; estudo de poltrona, de John Graz


Sem Título (Cabeça de Cristo), c. 1925
Óleo s/ tela, 35.5 x 27.5


A representação de Cristo corresponde à valorização da temática religiosa desenvolvida dentro do ritmo sinuoso da vertente cubista. O jogo de curvas e semicurvas resulta em uma estética elegante e decorativa, onde o resultado é uma referência aos traços da arte oriental.

Dentro deste estilo, o Cristo é retratado com a discrição digna de sua posição hierárquica, sem abandonar, no entanto, uma expressão humanitária. Os traços faciais são discretos se comparados com as mãos ou o pescoço da figura. Os dedos demasiadamente alongados parecem prontos para toques delicados e acolhedores, enquanto os olhos, representados por linhas finas, remetem à uma espiritualidade elevada.

O fundo abstrato e as deformidades do corpo fazem com que a figura lembre uma escultura. Cores quentes e contrastantes, a valorização das linhas e a geometrização do corpo parecem destacar o Cristo do papel, tornando-o palpável e acessível.

C. A. A.


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