Imagens usadas na colagem, da esquerda para direita: "Chegada de Muratori", Cícero Dias, 1927; "Auto-Retrato", sd, Ismael Nery; "Sem título (cabeça de Cristo)", 1925, Antônio Gomide; ilustração de Di Cavalcanti para livro "Fantoches da meia-noite", de Monteiro Lobato; "A Negra", 1923, de Tarsila do Amaral; "Portadora de Perfume", de Brecheret; estudo de poltrona, de John Graz
 


 
Rio de Janeiro, RJ, 1897 - Rio de Janeiro, RJ, 1976
Autodidata e pioneiro da arte moderna no Brasil, tem um lugar importante na nossa pintura. Seus primeiros trabalhos são influenciados por Aubrey Beardsley e pelo Art Noveau.

Publica sua primeira caricatura em 1914, no Rio de Janeiro, e transfere-se para São Paulo, a fim de dar continuidade ao curso de Direito. Em 1918, freqüenta o ateliê do pintor impressionista Georges Elpons e continua produzindo caricaturas para várias revistas, sob o pseudônimo de "Urbano". Liga-se ao grupo de jovens intelectuais e artistas entre os quais figuram Oswald de Andrade, Paulo Prado, Guilherme de Almeida, Anita Malfatti, entre outros. 

Começa a pintar em 1920 e, já em 1921, pleiteia a exposição que resulta na Semana de Arte Moderna, sendo o seu idealizador - toma como modelo o Festival de Deauville, na França -, assim como é o autor do projeto gráfico do catálogo e programa. Em 1923, viaja a Paris, onde permanece até as vésperas da II Guerra Mundial.

Sua vida e obra formam uma espécie de antologia da vida artística carioca, estando entre os anos 20 e 40 as melhores fases de sua produção. Tanto o Cubismo e o Muralismo Mexicano, quanto uma certa pintura onírica e sensual, marcam seu trabalho: solta seu traço como quem sonha, psicografa suas fantasias eróticas, sempre fiel ao gesto inesperado, em estado puro, instantâneo. 

Analista do Rio de Janeiro noturno, satirizador odioso e pragmatista das taras sociais da época, amoroso cantador das festas, como pintor do social, opera com o popular e tem uma inocência pré-contemporânea. Afirma: "meu modernismo coloria-se do anarquismo cultural brasileiro". 

Em sua obra, o desenho antecede à pintura e o traço à cor, enquanto expressividade; a busca de luz e do colorido aproximam sua pintura do barroco, na medida em que mostra o empenho de situar o homem e a vida em círculos dionisíacos. Usa tons quentes, linhas sintéticas e formas livres; retrata, acima de tudo, a mulher brasileira, especialmente a mulata, dando-lhe a dignidade das madonas renascentistas.

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